Obama condena repressão a protestos na Síria

Protesto em Nova York em solidariedade a manifestantes sírios Direito de imagem Getty
Image caption Violência contra manifestantes sírios foi condenada por vários países

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, acusou a Síria de usar força desproporcional contra manifestantes e de buscar ajuda iraniana para conter os protestos em curso no país.

Ele condenou “nos termos mais fortes possíveis” a violência ocorrida nesta sexta-feira, quando mais de 70 manifestantes foram mortos.

Obama disse que o presidente Bashar al-Assad se recusou a respeitar os direitos dos manifestantes e, em vez disso, usou as mesmas táticas de seus aliados iranianos.

Há relatos de que ao menos 70 pessoas morreram em protestos nesta sexta-feira, maior número em cinco semanas de turbulências.

A agência estatal de notícias da Síria diz que as forças de segurança usaram apenas gás lacrimogênio e canhões de água para impedir confrontos.

“Esse uso revoltante de violência para reprimir protestos deve chegar ao fim agora”, disse Obama, em comunicado.

“Em vez de ouvir seu próprio povo, o presidente Assad está culpando agentes externos enquanto busca assistência iraniana para reprimir cidadãos sírios através das mesmas táticas brutais que têm sido usadas por seus aliados iranianos.”

Linda dura

Acredita-se que a Síria integre uma aliança que inclui o Irã, o Hezbollah, no Líbano, o Hamas na Faixa de Gaza e outros grupos palestinos que se opõem à paz com Israel.

Os Estados Unidos qualificam a Síria como um patrocinador do terrorismo e impõem sanções ao país.

Mas alguns em Washington exigem agora uma linha ainda mais dura, diz o correspondente da BBC Steve Kingstone.

Eles acreditam que os Estados Unidos poderiam se beneficiar da queda de Assad – parcialmente porque ele é visto como um aliado vital do Irã.

A matança de sexta-feira – que ocorreu um dia após Assad pôr fim a décadas de estado de emergência – foi duramente criticada internacionalmente.

A França se disse “extremamente preocupada” e condenou a violência.

“A luz deve ser lançada sobre esses crimes, e aqueles responsáveis devem ser identificados, presos e levados à justiça”, disse a porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Christine Fages.

Autoridades sírias devem “renunciar ao uso da violência contra seus cidadãos”, ela acrescentou.

Grupos de direitos humanos e testemunhas dizem que muitas mortes ocorreram num vilarejo perto de Deraa, no sul do país, e num subúrbio perto da capital, Damasco.

Vídeos mostram manifestantes fugindo enquanto aparentemente são alvejados.

Em seu primeiro comunicado conjunto desde o início dos protestos contra o governo, ativistas que coordenam as manifestações exigiram o estabelecimento de um sistema político democrático.

Jornalistas dizem que as concessões do presidente Assad podem ter ocorrido tarde demais e não serem suficientes para satisfazer os manifestantes.

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