Presidente do Iêmen concorda em deixar o poder após 32 anos

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Image caption Os protestos no Iêmen ocorrem há dois meses

O presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, concordou em deixar o poder após 32 anos, disseram fontes oficiais neste sábado.

Saleh deve entregar o poder a seu vice em 30 dias, aceitando assim o plano de transição proposto por países do Golfo Pérsico que mediaram uma saída para a crise política do país.

Além da transferência, o plano prevê que Saleh nomeie um integrante da oposição para liderar um governo interino que deve preparar eleições presidenciais dentro de dois meses.

Saleh, sua família e assessores receberiam imunidade e não poderiam ser processados.

Oposição

Mas o líder oposicionista Yassin Noman disse que não participará do governo interino.

Integrantes da oposição vinham repetindo que rejeitavam a proposta de imunidade para Saleh.

Se ele deixar o poder como previsto, se tornará o terceiro líder árabe a perder o cargo após a onda de levantes populares que atingiu a região este ano, após Zine al-Abidine Ben Ali na Tunísia e Hosni Mubarak no Egito.

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Image caption Manifestantes protestam contra o presidente Saleh na cidade de Taiz

Centenas de pessoas participaram de uma manifestação de apoio ao presidente na sexta-feira, mas o evento foi bem menor do que os protestos contra o regime dos últimos meses.

No sábado, uma greve geral paralisou várias cidades iemitas, mas teve pouco efeito na capital, Sanaa.

Enfraquecido

Nos últimos dois meses, Saleh usou da violência para conter a insurgência no país. Pelo menos 120 pessoas morreram em protestos contra o governo.

Ele também ofereceu concessões, como a promessa de que não concorreria à reeleição depois do fim de seu mandato, em 2013, e que seu filho não concorrerá ao cargo.

Segundo a correspondente da BBC em Sanaa Lina Sinjab, o enfraquecido governo iemenita tem pouco controle sobre a capital.

Nos últimos anos, as Forças Armadas do país têm combatido uma rebelião armada no norte, além de um movimento separatista no sul.

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