Presidente do Iêmen diz que rejeita saída imediata do poder

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Image caption Manifestantes protestam contra o presidente Saleh na cidade de Taiz

O presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, afirmou neste sábado na capital do país, Sanaa, que somente deixará o poder depois que forem realizadas eleições no país.

Saleh fez a afirmação durante discurso em uma academia militar, enquanto um grupo de soldados se unia a uma manifestação que pedia a sua saída imediata.

Muitas lojas em todo o Iêmen fecharam as portas neste sábado, como parte de um movimento de desobediência civil contra o presidente, que está no poder desde 1978.

O Iêmen é palco de protestos populares contra o governo desde fevereiro, com forte repressão das forças de segurança. Nos últimos dois meses, mais de 120 pessoas foram mortas em meio às manifestações, que pedem a saída do presidente e reformas democráticas.

Neste sábado, o ministro do Exterior dos Emirados Árabes Unidos é esperado no Iêmen para discutir uma proposta feita por países do Golfo Pérsico, sugerindo a transferência de poder de Saleh para seu vice-presidente no prazo de um mês.

Nessa sexta-feira, em um comício realizado na capital, Saleh deu boas-vindas ao plano e disse que consideraria as sugestões dentro dos limites constitucionais, mas não deu indícios de que deixará a Presidência no prazo proposto.

Ao mesmo tempo, milhares de pessoas foram às ruas em diversas cidades do Iêmen para exigir a saída de Saleh, no que chamaram a “Sexta-Feira da Última Chance”.

Aliados de Saleh indicam que ele está aberto à possibilidade de deixar o poder, mas muitos apoiadores presentes ao comício dessa sexta-feira temiam instabilidade no país caso isto ocorresse, segundo a correspondente da BBC em Sanaa Lina Sinjab.

Proposta

Além da saída em um mês, a proposta do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC, sigla em inglês), união que congrega os países da região, pede que Saleh nomeie um líder da oposição para comandar um gabinete que prepararia eleições presidenciais, dois meses depois.

O plano também oferece imunidade ao presidente, sua família e aliados - algo que a oposição rejeita totalmente.

Nos últimos dois meses, Saleh usou da violência para conter a insurgência no país. Ele também ofereceu concessões, como a promessa de que não concorrerá à reeleição depois do fim de seu mandato, em 2013, e que seu filho não concorrerá ao cargo.

Segundo Sinjab, o enfraquecido governo iemenita tem pouco controle sobre a capital. Nos últimos anos, as Forças Armadas do país têm combatido uma rebelião armada no norte, além de um movimento separatista no sul.

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