Oriente médio

Tribos leais a Khadafi se prontificam para expulsar rebeldes de Misrata

Reuters

Rebeldes sobem em tanque capturado na cidade de Misrata

Tribos leais ao líder líbio, Muamar Khadafi, disseram que, se o Exército do país não conseguir expulsar os rebeldes da cidade portuária de Misrata, eles mesmos o farão, segundo informou neste sábado o vice-chanceler líbio, Khaled Kaim.

Falando a jornalistas, Kaim disse que o Exército tem tentado manter baixo o número de vítimas civis, mas que as tribos não fariam os mesmos esforços.

Os comentários ocorreram durante uma reunião entre líderes tribais e os militares na área de Misrata, principal cidade sob controle dos insurgentes no oeste da Líbia.

Misrata vem sendo fortemente atacada pelas forças de Khadafi há semanas. Agências de ajuda afirmam que a cidade já enfrenta uma crise humanitária. Grupos de direitos humanos estimam que mais de mil pessoas já tenham morrido nos combates.

Três navios já resgataram civis líbios e trabalhadores estrangeiros de Misrata. Uma quarta embarcação fretada pela Organização Internacional para a Migração (IOM, sigla em inglês) deverá evacuar mais pessoas nos próximos dias.

Tribos reclamam

Segundo o vice-chanceler, as tribos reclamam que as vidas de seus integrantes estão prejudicadas devido aos combates em Misrata, que interromperam o tráfego na principal estrada costeira da região e impedem o comércio.

Líderes tribais afirmam, segundo Kaim, que o porto de Misrata é de todos os líbios, e não só dos rebeldes. Normalmente, a cidade é um grande centro comercial. Seu porto é o segundo maior da Líbia, perdendo apenas para o da capital, Trípoli.

"Foi colocado um ultimato para o Exército líbio. Se ele não resolver o problema em Misrata, então o povo da região (...) tomará a iniciativa", disse o vice-chanceler.

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Tocar com outro programa

Segundo ele, as tribos tentariam primeiramente persuadir os rebeldes a deixar suas armas, mas caso isto não funcione, eles deverão agir. Nesta situação, os militares ficariam onde estão, disse Kaim.

"A tática do Exército é aplicar soluções cirúrgicas, mas com os bombardeios (da Otan), isto não funciona", afirmou.

O editor de Oriente Médio da BBC, Jeremy Bowen, que está em Trípoli, afirma que, segundo o regime, a razão pela qual Khadafi está relativamente seguro no oeste líbio é que as principais tribos - que possuem muito poder e influência no país - estão do seu lado.

No entanto, o governo já usou a perspectiva de uma guerra civil tribal como um aviso aos líderes rebeldes e à Otan. Assim, segundo Bowen, é possível que o vice-chanceler estivesse não fazendo uma ameaça, mas sim retratando a realidade da situação das tribos.

O regime está se vendo cada vez mais isolado e está torcendo para algum tipo de solução diplomática, afirma o editor da BBC.

Trípoli

Enquanto isso, as forças da Otan realizaram mais bombardeios em Trípoli neste sábado. O governo líbio afirma que três pessoas morreram nos ataques.

Jornalistas estrangeiros foram levados por representantes do regime a um bunker de concreto que sofreu dois ataques, próximo ao complexo de Bab al-Azizia, principal centro de proteção de Khadafi na capital. Autoridades afirmam que a área possui civis.

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