Forças sírias abrem fogo durante funerais e matam pelo menos oito

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Image caption Manifestantes carregam bandeira da Síria em Deraa, na sexta-feira

Forças de segurança da Síria abriram fogo contra milhares de pessoas que compareceram neste sábado aos funerais de manifestantes mortos durante protestos contra o governo ocorrido na sexta-feira. Relatos indicam que pelo menos oito pessoas morreram.

Segundo testemunhas, pelo menos três manifestantes foram mortos neste sábado em um subúrbio da capital, Damasco. Cinco outras pessoas teriam sido mortas em uma localidade próxima à cidade de Deraa, no sul do país.

De acordo com o correspondente da BBC em Beirute (Líbano) Owen Bennett Jones, as dezenas de milhares de pessoas que compareceram aos funerais sofreram violenta repressão por parte das forças de segurança, que usaram munição real.

O repórter afirma que, em Deraa, as mortes ocorreram quando as forças do governo tentaram impedir um grande grupo de pessoas de chegar ao local onde estava ocorrendo um funeral.

Bennett Jones afirma que, desde que os protestos começaram, há cinco semanas, o governo tem permitido que as pessoas presentes em funerais se manifestem. No entanto, o repórter diz que, neste sábado, as forças de seguranças aparentemente não estão tolerando sinais de dissidência.

Reações

Os protestos dessa sexta-feira foram os mais sangrentos na Síria desde o início das manifestações contra o governo do presidente Bashar Al-Assad, que está no poder há quase 11 anos. Os dissidentes pedem reformas democráticas no país.

Mais de 70 manifestantes foram mortos nessa sexta-feira, causando forte reação internacional.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, condenou a violência “nos termos mais fortes possíveis” e acusou a Síria de usar força desproporcional contra os dissidentes, além de buscar ajuda iraniana para conter os protestos.

Neste sábado, o governo sírio chamou a declaração de Obama de "tendenciosa", por não ser "baseada em uma visão objetiva da realidade que está ocorrendo".

Já um porta-voz do Ministério do Exterior iraniano disse à TV Al-Alam que o governo de Teerã rejeita as acusações americanas e afirmou que elas "são originárias da postura política (dos Estados Unidos)".

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu uma investigação independente sobre os atos de violência na Síria e exigiu que o governo de Damasco aceite as manifestações populares de forma democrática.

Estado de emergência

Na semana passada, o presidente sírio decretou o fim do estado de emergência que vigorava no país desde os anos 1960, em um gesto visto por especialistas como uma concessão feita aos manifestantes e à oposição.

No entanto, a correspondente da BBC em Beirute Kim Ghattas afirma que o tamanho dos protestos registrados nas cidades sírias mostra que as concessões feitas por Assad foram consideradas insuficientes e meramente simbólicas.

A persistência das manifestações mostra que o movimento de oposição ao governo somente cresce em tamanho e em confiança, diz a repórter da BBC.

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