Oriente médio

Exército ataca cidade 'epicentro' de protestos na Síria

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Testemunhas afirmaram que o Exército da Síria entrou com tanques e tropas na cidade de Dera, no sul da Síria - considerada o epicentro dos protestos que sacodem o país.

Um manifestante afirmou que forças de segurança estavam "disparando para todo lado", outro, citado pela agência AP, disse ter contado pelo menos 11 corpos.

Testemunhas também afirmaram que forças de segurança abriram fogo contra manifestantes em um subúrbio de Damasco, capital do país.

Há vários relatos de repressão violenta a protestos contra o presidente Bashar al-Assad, incluindo prisões, apesar de o governo ter suspendido semana passada o estado de emergência que vigorava há décadas no país.

No domingo, ao menos 13 pessoas teriam morrido na cidade de Jabla, no noroeste, enquanto dezenas foram mortos em manifestações na última sexta-feira.

Deraa é a cidade onde os protestos começaram no mês passado, com demandas por reformas políticas. Muitos agora exigem que Assad deixe o poder.

'Corte de eletricidade'

Vídeo amador

Manifestantes jogam pedras contra tanques na cidade de Deraa, em imagem feita por cinegrafista amador

Um manifestante disse à BBC que tanques cercaram a mesquita Al-Omari, na cidade velha de Deraa, e que forças de segurança estavam retirando cadáveres das ruas.

A agência de notícias AFP citou um ativista para afirmar que cerca de três mil membros das forças de segurança haviam entrado em Deraa, e que franco-atiradores estavam disparando de tetos de casas e prédios.

Outro manifestante, Abdullah al-Harriri, disse à AFP: "Eles estão disparando para todo lado e avançando por trás de blindados, que os protegem", afirmou ele. "A eletricidade foi cortada e as comunicações por telefone são praticamente impossíveis".

Jornalistas estrangeiros estão sendo proibidos de entrar no país, o que torna difícil confirmar informações.

Mas o correspondente da BBC no vizinho Líbano Owen Bennet-Jones disse que não havia relatos de uso de tanques em outros lugares da Síria, e que isso marcaria uma escalada na resposta do governo aos protestos.

Segundo ele, os últimos relatos denotam que o governo está determinado a usar a força para reprimir os protestos.

Um proeminente defensor dos direitos humanos da Síria, Suhair al-Atassi, disse que as autoridades lançaram "uma guerra selvagem para aniquilar os democratas da Síria".

'Fronteira fechada'

Manifestantes de oposição vêm descrevendo Deraa como "território libertado", e dois integrantes do Parlamento e uma autoridade religiosa local renunciaram no sábado para protestar contra a morte de manifestantes no local.

Deraa é a principal cidade da região de Hawran. Está situada a poucos quilômetros da fronteira com a Jordânia. No domingo, o ministro de Informação da Jordânia afirmou que a Síria havia fechado sua fronteira.

No subúrbio de Douma, em Damasco - onde também houve manifestações em grande escala -, testemunhas disseram que autoridades fizeram buscas na região, atirando e prendendo pessoas.

As autoridades sírias vêm reagindo de forma errática às manifestações - algumas vezes prometendo permitir mais liberdades, em outras, abrindo fogo contra manifestantes.

Ao menos 95 pessoas foram mortas ao redor da Síria na sexta-feira e outras 12 no sábado, durante funerais dos manifestantes mortos na sexta-feira.

Ao todo mais de 350 pessoas morreram no país desde que as manifestações começaram, em março, segundo ativistas.

Nesta segunda-feira, os Estados Unidos disseram que estudam sanções contra integrantes do governo sírio por causa da violência recente contra manifestantes.

"Os EUA cogitam várias opções, incluindo sanções específicas, para responder a repressão e deixar claro que este comportamento é inaceitável", disse Tommy Vietor, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional.

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