Integrante da Al-Qaeda trabalhava para a inteligência britânica, diz WikiLeaks

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Image caption O ataque ao hotel Sheraton em Karachi matou 13 pessoas em 2002

Um integrante da rede Al-Qaeda acusado de ataques em igrejas cristãs e a um hotel de luxo no Paquistão em 2002 trabalhava na mesma época para os serviços secretos britânico e canadense, de acordo com documentos vazados pelo site WikiLeaks.

Adil Hadi al Jazairi Bin Hamlili esteve detido pelo governo americano no centro de detenção da baía de Guantánamo entre 2003 e o ano passado, segundo documentos publicados no jornal britânico Guardian.

O argelino foi descrito por seus interrogadores como “facilitador, entregador, sequestrador e assassino” para a Al-Qaeda.

Ele foi capturado no Paquistão em 2003 e levado para um interrogatório na base americana de Bagram, no Afeganistão.

Ataques

Hamlili teria dito a agentes da CIA que era um informante dos serviços de inteligência de Canadá e Grã-Bretanha desde o ano 2000.

Ele foi considerado uma ameaça para os EUA e seus aliados no Afeganistão e Paquistão.

Outro detido, Khalid Sheikh Mohammed, considerado o mentor dos ataques de 11 de Setembro, supostamente afirmou durante interrogatório que Hamlili estava por trás de um ataque com granadas a uma igreja em Islamabad em 2002 que matou cinco pessoas.

Apesar das acusações, ele foi enviado de volta para a Argélia no ano passado. Não se sabe se Hamlili está atualmente detido.

Mesquista

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Image caption O clérigo Abu Hamza é apontado como aliciador de extremistas

Outros arquivos publicados no jornal britânico Daily Telegraph sugerem que uma mesquita no norte de Londres seria um “porto seguro” para extremistas islâmicos.

Os documentos afirmam que 35 homens que lutaram contra forças ocidentais no Afeganistão foram recrutados pelos clérigos Abu Hamza e Abu Qatada na mesquita de Finsbury Park.

A mesquita costumava atrair jovens em fins da década de 1990. Eles seriam então radicalizados e enviados para campos de treinamento no Afeganistão.

Documentos afirmam ainda que a Al-Qaeda escondeu uma bomba nuclear na Europa e a detonaria caso Osama Bin Laden fosse capturado, que o líder da Al-Qaeda tentou recrutar seguidores entre trabalhadores do aeroporto de Heathrow e que o governo americano suspeitou que o Serviço Mundial da BBC poderia ser “um possível veículo de mídia para divulgação” da Al-Qaeda.

A suspeita surgiu porque o telefone da entidade foi encontrado com vários suspeitos detidos, segundo o Telegraph.

O diretor da BBC Global News, Peter Horrocks, escreveu para o jornal, afirmando que discorda com veemência da interpretação dos aquivos.

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