Inflação domina 1º encontro do 'Conselhão' sob Dilma

A presidente Dilma Rousseff disse nesta terça-feira que o governo está atento à crescente inflação e que não se furtará em empregar “todas as medidas que considerar necessárias e urgentes”.

A declaração foi feita na primeira reunião sob sua gestão do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, conhecido como “Conselhão”, um órgão composto por empresários e altos funcionários do governo cuja atribuição é discutir temas vitais para o país e sugerir políticas públicas.

"Todo aumento de inflação vai exigir que o governo tenha atenção especial sobre suas fontes e causas. Meu governo está diuturnamente e até noturnamente atento a todas as pressões inflacionárias, venham de onde vier, e fazendo permanente análise delas", disse Dilma.

Segundo a presidente, o Brasil enfrenta "bons problemas", já que a inflação advém do aumento no consumo. "É melhor enfrentar os problemas do crescimento do que os do desemprego, da falta de investimento, da falta de renda e da depressão econômica".

Também presente à reunião, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que a inflação é um problema global, já que há forte alta no preço das commodities. Ainda assim, ele afirmou que o Brasil está em melhor situação que países como a Rússia e a Índia, onde a inflação chegou a 9,4% e 8,8%, respectivamente, nos últimos 12 meses.

Outro integrante do Conselho, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, disse que o governo deve ficar atento à inflação de serviços.

“A inflação é hoje um problema global, e a inflação brasileira reflete a inflação global. Mas (o Brasil) possui também componentes locais comuns a países emergentes que saíram da crise. No nosso caso, um tema importante para entender a inflação é a inflação de serviços, que tem se mantido elevada e em ascensão no período recente.”

Segundo Tombini, o objetivo do BC é lidar com o intenso fluxo de capital estrangeiro e fazer a inflação convergir para o centro da meta em 2012.

Na semana passada, numa tentativa de encarecer o crédito e esfriar o crescimento econômico (e, consequentemente, reduzir a inflação), o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC elevou a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 12% ao ano.

Segundo uma pesquisa Focus divulgada pelo BC nesta segunda-feira, a expectativa para a inflação oficial neste ano subiu de 6,29% para 6,34%, acima do centro da meta, de 4,5%, mas ainda dentro da margem de tolerância de dois pontos.