Deficit da Grécia é revisto para 10,5% e fica acima de meta

Manifestante na Grécia/AFP Direito de imagem BBC World Service
Image caption As medidas adotadas pela Grécia geraram protestos entre a população

Dados revisados pela União Europeia, divulgados nesta terça-feira, apontam que o governo da Grécia não alcançou a meta traçada de redução de seu déficit público, apesar das medidas de austeridade adotadas nos últimos meses.

A agência de estatísticas do bloco revisou o déficit da Grécia em 2010 para 10,5% de seu PIB, maior do que os 9,6% calculados anteriormente e muito acima do que a meta estabelecida como parte do pacote de ajuda financeira ao país, de 8%.

Em 2009, o deficit grego era de 15,4% do PIB. Apesar dos novos dados, o Ministério das Finanças da Grécia disse estar confiante de que alcançará as metas.

"Todas as medidas necessárias para isso estão na estratégia que será submetida ao Parlamento no dia 15 de maio", disse o ministério, por meio de um comunicado.

Muitos economistas avaliam que a Grécia está presa em um círculo vicioso, com as medidas de austeridade piorando a recessão que, por sua vez, aprofunda o déficit.

Nos últimos dias, a taxa de juros nos mercados internacionais para empréstimos de dois anos à Grécia subiram para mais de 23% ao ano, indicando que muitos consideram que o país tem grandes chances de não honrar seus pagamentos.

Zona do euro

Para a zona do euro como um todo, os déficits governamentais caíram em 2010 em média de 6,3% para 6%, refletindo os esforços conjuntos para regularizar as finanças na região.

O país com o pior resultado foi a Irlanda, que apresentou um déficit de 32,4% do PIB no ano passado.

A nacionalização dos bancos irlandeses é apontada como a principal responsável pela grande quantidade de dinheiro que o governo do país pegou emprestado, o dobro do que no ano anterior.

Além de Grécia e Irlanda, Portugal deve ser o terceiro país da zona do euro a receber um pacote de ajuda financeira. O governo de Lisboa também não conseguiu atingir a meta de 7,3%, apresentando um déficit de 9,1% do PIB.

Por outro lado, a Espanha - país que muitos apostavam que seria o próximo europeu a pedir ajuda financeira - apresentou avanços. O governo espanhol ultrapassou sua meta de reduzir o déficit para 9,3% do PIB, chegando a 9,2%.

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