Beatificação de João Paulo 2° terá relíquia com sangue do papa

Freira Marie Simon-Pierre, que teria sido curada por João Paulo 2º (Foto de arquivo/AFP) Direito de imagem AFP
Image caption Freira curada de Parkinson é símbolo de 'milagre' de João Paulo 2º

O Vaticano anunciou nesta terça-feira que durante a cerimônia de beatificação de João Paulo 2°, marcada para o próximo domingo, será exposta uma ampola com sangue do papa, relíquia que será venerada pelos fieis.

Segundo uma nota da sala de imprensa da Santa Sé, o sangue de João Paulo 2° foi colhido durante seus últimos dias de vida, quando ele estava gravemente doente, para ser usado numa transfusão, caso fosse necessário.

O material ficou guardado em quatro pequenos recipientes. Dois deles foram entregues ao secretário pessoal de João Paulo 2°, cardeal Stanislao Dziwisz, logo após a morte do papa. Os outros dois ficaram guardados no centro de transfusões do hospital Menino Jesus, próximo ao Vaticano.

Em vista da beatificação, o sangue foi colocado numa ampola e será usado como relíquia do novo beato, para ser venerada pelos fieis durante a cerimônia.

Depois da cerimônia, a ampola com o sangue do papa será conservada no departamento de celebrações litúrgicas do Sumo Pontífice, junto com outras relíquias.

Conforme informou o Vaticano, o sangue encontra-se em estado líquido devido a uma substância anticoagulante adicionada logo após a colheita.

Cerimônia

A cerimônia de beatificação de João Paulo 2° será presidida pelo papa Bento 16 em 1º de maio, na praça de São Pedro, diante de cerca de 300 mil peregrinos e 50 chefes de Estado.

Outros eventos estão programados em ocasião da beatificação de Karol Wojtyla. No sábado, haverá uma vigília, com a presença da freira francesa que teria sido curada por intermédio de João Paulo 2°. A irmã Marie Simon-Pierre Normand havia sido diagnosticada com o mal de Parkinson, a mesma doença da qual sofria o papa. O reconhecimento desse milagre foi a última etapa do processo de beatificação.

Após a cerimônia do domingo, haverá outra missa, de agradecimento, na segunda-feira, na praça de São Pedro.

No total, a prefeitura de Roma e as autoridades vaticanas esperam a chegada de cerca de 1 milhão de peregrinos.

Segundo o cardeal Angelo Comastri, arcipreste da Basílica de São Pedro, a catedral vai permanecer aberta durante toda a noite do dia 1º para o dia 2 de maio, para que os fiéis possam fazer sua homenagem ao papa, cujos restos ficarão guardados na capela de São Sebastião, ao lado da Pietà de Michelangelo, do lado direito da Basílica.

O caixão que contém os restos do papa, porém, não será aberto.

Pontificado

João Paulo 2° morreu em 2 de abril de 2005, após um pontificado que durou 27 anos. Na própria noite em que foi anunciada sua morte, a multidão presente na praça de São Pedro pedia que ele fosse declarado santo imediatamente.

A causa de beatificação de João Paulo 2° é a mais rápida da história: foi concluída seis anos e 29 dias após sua morte, quando, segundo o código de direito canônico, as causas de beatificação só podem ter início cinco anos após o falecimento.

No caso de João Paulo 2°, assim como ocorreu com madre Teresa de Calcutá, foi necessária uma autorização especial do papa.

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