Grã-Bretanha, França e Itália pressionam Síria por fim da violência

Foto feita por manifestante com telefone celular mostra mulheres levando faixa onde se lê: 'As mulheres de Deraa querem um fim ao cerco' (AP) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Manifestantes têm ido diariamente às ruas em Deraa

Grã-Bretanha, França e Itália pediram nesta terça-feira que a Síria acabe com a repressão violenta contra os protestos anti-governistas.

Em uma declaração conjunta, a França e a Itália pediram que a União Europeia e a ONU pressionem o governo da Síria para que seja suspensa a repressão aos manifestantes de oposição, que organizaram protestos em várias cidades do país árabe.

"Juntos, mandamos um forte apelo para as autoridades em Damasco pararem com a repressão violenta de demonstrações pacíficas", disse o premiê italiano, Silvio Berlusconi.

Ao seu lado, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse "concordar com Berlusconi que a situação na Síria se tornou inaceitável".

"Você não pode mandar o Exército para cima de manifestantes, atirar neles. Esta brutalidade é inaceitável", completou.

Apesar da pressão dos dois países, Sarkozy afirmou na entrevista coletiva que a França não vai intervir na Síria sem uma resolução do Conselho de Segurança da ONU.

Grã-Bretanha

Ao Parlamento britanico, o chanceler do país, William Hague, disse que a continuidade da violência poderia levar a sanções contra o governo sírio.

"A Síria está em uma encruzilhada. Se escolher mais repressão violenta, terá apenas a garantia de segurança a curto prazo", disse.

"Se o país fizer isso, trabalharemos junto a nossos parceiros, europeus ou não, para adotar medidas, incluindo sanções, que devem ter impacto no regime."

"Precisamos ver verdadeiros atos de reforma, não de repressão", acrescentou.

Deraa

Na cidade de Deraa (sul do país) teriam ocorrido nesta terça-feira mais disparos depois que os soldados e tanques do Exército entraram na cidade na segunda-feira.

A agência de notícias oficial informou que vários soldados sírios morreram nos confrontos.

Segundo Owen Bennett-Jones, correspondente da BBC no país vizinho Líbano, o governo da Síria contesta as afirmações de países ocidentais de que as manifestações contra o governo são pacíficas.

Uma declaração da agência de notícias oficial síria afirma que o governo enviou soldados para várias cidades a pedido dos moradores, que temiam "extremistas armados".

A declaração oficial acrescentou que várias pessoas foram presas nestas operações e serão processadas em cortes civis, devido à suspensão das leis de emergência do país, na semana passada.

O correspondente da BBC acrescentou que a comunicação com a Síria é virtualmente impossível, apesar de haver informações de confrontos na cidade de Deraa, pois o governo está tentando retomar o controle na cidade.

Em vídeos postados na internet, que teriam sido filmados nesta terça-feira na cidade, ainda se podem ouvir tiros.

Estados Unidos

Nesta terça-feira, os Estados Unidos pediram para que seus cidadãos deixem a Síria.

O Departamento de Estado americano comunicou também que parte de seu corpo diplomático e familiares destes devem abandonar o território sírio.

Na segunda-feira, Washington havia levantado a possibilidade de aplicar novas sanções contra a Síria, em resposta à “violência brutal” empregada contra manifestantes, segundo um porta-voz da Casa Branca.

As possíveis novas sanções poderiam incluir o congelamento de ativos e a proibição de negócios com os Estados Unidos.

Leia mais na BBC Brasil: EUA estudam aplicar novas sanções contra a Síria

Ativistas dizem que mais de 350 pessoas morreram desde o início das manifestações antigoverno, em março. Não há, no entanto, informações independentes sobre o número total de mortos.

Nesta terça, o Conselho de Segurança da ONU deve discutir, em Nova York, um esboço de documento feito por países europeus para condenar a violência na Síria.

Segundo diplomatas, o texto pede moderação por parte do governo sírio e apoia o chamado do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, por uma investigação sobre a morte de manifestantes.

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