América Latina

Venezuela recebe delegação líbia e diz que não negociou asilo a Khadafi

Hugo Chávez

Chávez apareceu de surpresa em reunião de chanceleres da CALC

O presidente de Venezuela, Hugo Chávez, disse que o líder líbio Muamar Khadafi enviou uma delegação a Caracas para costurar na América Latina uma saída política ao conflito que ameaça o regime líbio.

“Estão na Venezuela e estamos tratando de buscar apoio internacional para uma saída pacífica”, afirmou Chávez, que apareceu de surpresa no encontro de chanceleres da América Latina e Caribe (CALC), reunião preparatória da Cúpula de presidentes, prevista para junho.

"Estamos empenhados em buscar uma saída política ao drama que hoje vive o povo da Líbia", afirmou.

Um alto funcionário do governo venezuelano negou, no entanto, a possibilidade da Venezuela dar asilo à Khadafi, como se especulava no início da crise. "Isso não está sendo negociado", disse a fonte.

Segundo o funcionário, a delegação líbia dará um giro pela América Latina para tentar costurar uma articulação regional de apoio ao regime de Khadafi e para pôr fim ao conflito.

Os países da região, em especial do bloco da Alba, articulam uma resolução que de acordo com o chanceler venezuelano, Nicolas Maduro, pode ser aprovada "nas próximas horas" para apoiar os planos da União Africana de encontrar uma saída negociada para o conflito. "Temos que romper com a inércia da guerra e conter a barbárie contra o povo líbio".

Amizade

Chávez voltou a afirmar que Khadafi é seu amigo, mas disse não estar de acordo com tudo que fez ou faz Khadafi.

"Khadafi é nosso amigo, mas isso vai além das amizades. Quem tem direito de jogar bombas em um país?"

O presidente venezuelano reiterou suas críticas à ofensiva militar da Otan no país e disse que o objetivo da intervenção militar é "matar" o líder líbio e se "apoderar do petróleo e água" do país.

Em meio à discussão dos chanceleres da região sobre a "cláusula democrática" da CELAC, bloco continental sem Estados Unidos e Canadá que deve ser constituído oficialmente em junho - Chávez sugeriu a inclusão da cláusula de não-ingerência.

"Não permitamos que ninguém venha se impor, nos bombardear e derrubar governos", afirmou Chávez, em referência ao desenlace da crise líbia.

Em março, antes da decisão da ONU autorizar a missão da Otan no país, Chávez havia proposto a criação de uma "comissão de paz" para mediar o conflito que a seu ver, terminaria em uma guerra civil.

A revolta de opositores contra Khadafi começou em fevereiro, inspirada pela onda de protestos pró-democracia em vários países árabes e que levaram à queda dos presidentes da Tunísia e do Egito.

Grupos de defesa dos direitos humanos afirmam que mais de mil pessoas foram mortas nos confrontos entre rebeldes e forças do governo.

Honduras

Ainda no papel de mediador, Chávez disse que "está avançando" a negociação do acordo que pode permitir a reintegração de Honduras à Organização de Estados Americanos (OEA) e o regresso do presidente deposto Manuel Zelaya a seu país.

Colômbia e Venezuela, mediadores oficiais, operam para que o acordo que está sendo costurado entre Zelaya e o presidente hondurenho Porfírio Lobo seja aprovado antes da Assembléia da OEA, em El Salvador, prevista para junho.

O chanceler brasileiro, Antonio Patriota, que acompanha as negociações, disse à BBC Brasil, em sua visita a Caracas, que "não é impossível" que Zelaya - exilado na Repúplica Dominicana - volte à Honduras nas próximas semanas.

Lobo e Zelaya "estão aproximando posições e desenvolvendo termos conjuntos", disse Patriota.

O retorno do ex-presidente é a condição imposta pela maioria dos países da América do Sul para permitir a volta de Honduras à OEA, afastada desde a deposição de Zelaya em 2009.

O acordo prevê quatro pontos básicos que estabelece o regresso de Zelaya a Honduras e anistia aos exilados políticos, a realização de uma Assembléia Constituinte, apuração dos crimes de violação de Direitos Humanos e o fim da repressão.

Se for concretizada, a volta de Zelaya também abrirá caminho à legitimação do governo de Porfirio Lobo, que ainda não foi reconhecido pela maioria dos países da região, incluindo o Brasil.

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