Netanyahu: Autoridade Palestina deve escolher paz com Hamas ou com Israel

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Image caption Netanyahu disse que decisão foi prova de fraqueza da Autoridade Palestina

O primeiro ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, criticou o acordo preliminar de reconciliação entre o Fatah e o Hamas, firmado nesta quarta-feira no Cairo, e afirmou que a Autoridade Palestina terá que escolher entre fazer a paz com o Hamas ou com Israel.

Uma hora depois do anuncio de representantes das duas facções palestinas, sobre o plano para pôr um fim a cisão que vigora há quase quatro anos, Netanyahu reagiu em termos duros à possibilidade de um governo palestino de união nacional.

"A Autoridade Palestina terá que escolher: ou a paz com o Hamas, ou a paz com Israel, pois o Hamas deseja destruir Israel e diz isto abertamente", declarou o premiê israelense.

Assentamentos

Segundo Netanyahu, a própria ideia de reconciliação com o Hamas "demonstra a fraqueza da Autoridade Palestina e a possibilidade de que o Hamas tome o controle da Cisjordânia, como fez na Faixa de Gaza".

"O Hamas lança foguetes contra nossas cidades e nossas crianças", acrescentou o premiê.

Netanyahu instruiu os ministros israelenses a não comentarem o acordo entre as facções palestinas e sua reação foi gravada e distribuida a todos os veículos de comunicação do país.

O porta-voz do presidente palestino Mahmoud Abbas, Nabil Abu Rodeina, respondeu a Netanyahu afirmando que o acordo de reconciliação alcançado no Cairo é "um assunto palestino interno".

O porta-voz palestino também disse que "Netanyahu deve escolher – ou uma paz justa e abrangente, com um povo palestino unificado, ou os assentamentos".

Surpresa

Segundo o analista militar Ron Ben Ishai, do site de noticias israelense Ynet, os serviços de Inteligência de Israel ficaram surpresos com o acordo de reconciliação entre o Fatah e o Hamas.

"Até poucos dias atrás, um acordo desse tipo parecia muito distante", afirma Ben Ishai e acrescenta que Israel "terá que reavaliar sua posição".

De acordo com Ben Ishai, o acordo entre as facções palestinas esvazia "um argumento importante da diplomacia israelense", contra a iniciativa do presidente Mahmoud Abbas, de pedir o reconhecimento da ONU ao Estado Palestino, no próximo mes de setembro.

"A diplomacia israelense sempre argumenta que Abbas só representa a Cisjordânia", afirma Ben Ishai.

Para o analista, o acordo de reconciliação entre Fatah e Hamas pode tornar-se um "trampolim" para obter a criação do Estado palestino.

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