Rebeldes ‘merecem apoio’, diz embaixador dos EUA para Líbia

Rebeldes líbios na cidade de Kabao, perto da fronteira com a Tunísia Direito de imagem AFP
Image caption Missão da ONU diz que também investigará acusações contra rebeldes

A oposição ao regime de Muamar Khadafi na Líbia “é merecedora do apoio” americano, disse nesta quarta-feira o embaixador americano para o país, Gene Cretz.

Falando ao departamento de Estado, Cretz afirmou que o Conselho Nacional de Transição (CNT), baseado na cidade de Benghazi, é "um grupo sério, que merece apoio".

"Eles continuam a dizer as coisas certas, se comunicam com a comunidade internacional, tentam ser o mais inclusivos possível", disse ele.

No entanto, Cretz disse que os EUA ainda não decidiram se reconhecem o CNT como o governo legítimo da Líbia.

"O reconhecimento permanece um assunto de obrigações internacionais que estamos estudando e ainda não tomamos uma decisão definitiva sobre isso."

"Mas isso não nos impede de fazer todo o possível para apoiar o CNT e os líbios", completou.

‘Boa vontade’

Na terça-feira, o presidente americano, Barack Obama, aprovou a liberação de US$ 25 milhões em produtos, excluindo armas, para o CNT e outros grupos de ajuda a civis na Líbia.

Os rebeldes líbios disseram nesta quarta-feira que vão libertar cinco soldados leais a Khadafi em um gesto com o objetivo de aumentar a credibilidade internacional do grupo.

"Este é um gesto de boa vontade de nossa parte para mostrar que respeitamos as leis internacionais e também por razões humanitárias", disse Abdel Hafiz Ghoga, porta-voz do grupo.

Os rebeldes capturaram 32 líbios e 72 soldados estrangeiros, disse ele. Os cinco libertados vão ser entregues para a Cruz Vermelha.

Missão da ONU

Uma missão da ONU iniciou nesta quarta-feira a Trípoli, capital da Líbia, dois dias de investigações sobre acusações de abusos aos direitos humanos cometidos desde o início dos conflitos no país, em fevereiro.

A missão foi indicada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU após a repressão do governo líbio aos manifestantes que pediam a renúncia do líder do país, coronel Muamar Khadafi.

O governo líbio afirmou que vai cooperar com as investigações da missão da ONU.

Os três membros da missão dizem que vão verificar todas as acusações de abuso, incluindo aquelas que o governo diz terem sido cometidas por grupos rebeldes ou por forças da Otan, a aliança militar ocidental.

O mandato original da missão – examinar as violações aos direitos humanos supostamente cometidas pelas forças de Khadafi – deve permanecer como prioridade.

Há relatos de desaparecimentos, tortura e assassinato de manifestantes.

A comissária de direitos humanos da ONU, Navi Pillay, disse no fim de fevereiro que os acontecimentos na Líbia “podem ser crimes contra a humanidade”.

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