Khadafi tentou colocar minas na baía de Misrata, diz Otan

Rebeldes líbios na cidade de Misrata, em área perto do aeroporto (AFP) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Rebeldes continuam lutando pelo controle de Misrata

A Otan afirmou nesta sexta-feira que seus navios de guerra impediram que as forças do líder líbio, Muamar Khadafi, colocassem minas na baía da cidade de Misrata.

O diretor de operações da aliança na Líbia, o brigadeiro Rob Weighill, disse que os navios estacionados no Mar Mediterrâneo impediram a que isso acontecesse na manhã desta sexta-feira.

"Nossos navios interceptaram pequenos barcos que estavam colocando (as minas), e estamos descartando as minas que encontramos", disse Weighill a jornalistas por uma transmissão de vídeo direto do quartel-general da Otan em Nápoles, na Itália.

"Isso mostra novamente o completo descaso (do líder líbio Muamar Khadafi) pelas leis internacionais e sua vontade de atacar os esforços para entrega de ajuda humanitária", acrescentou.

A Otan vem promovendo ataques aéreos contra as forças de Khadafi na Líbia para cumprir uma resolução da ONU que autorizou ações para proteger os civis.

Grupos de defesa dos direitos humanos afirmam que mais de mil pessoas foram mortas nos confrontos em Misrata e muitas outras ficaram feridas.

A cidade está sob o cerco das forças do governo líbio há várias semanas e sua baía tem servido para navios levarem os feridos para hospitais na cidade de Benghazi, sob poder dos rebeldes, e também para a entrega de ajuda para os que ficaram em Misrata.

Progresso

Em sua entrevista desta sexta-feira, Rob Weighill disse ainda que os rebeldes em Misrata fizeram progressos nos últimos dias.

"Os rebeldes expandiram seu perímetro de forma significativa na última semana", afirmou o militar, acrescentando, no entanto, que "sugerir que eles estão vencendo seria excesso de otimismo". "Eles estão lutando com muita coragem", concluiu.

Os rebeldes informaram que os tanques do governo líbio lançaram outro ataque contra a cidade. Jornalistas estrangeiros, por sua vez, informaram que grandes explosões foram registradas em Misrata.

No oeste da Líbia, os relatos são de que a situação em Wazin, na fronteira, ficou menos tensa depois dos violentos confrontos entre rebeldes e forças do governo na região.

Em poucas horas, o comando da passagem na fronteira mudou de mãos duas vezes e, na manhã de sexta-feira, teria voltado para as mãos dos rebeldes. O controle da área já mudou várias vezes nas últimas semanas.

As forças do governo, que tinham retomado o controle na quinta-feira, perseguiram os rebeldes até a cidade tunisiana de Dahiba, de acordo com um canal de televisão da Tunísia. As forças de Khadafi foram então paradas por soldados tunisianos e tiveram que entregar suas armas.

Fronteira

Analistas afirmam que confrontos que atravessam a fronteira são típicos de um conflito fluido e complexo como o da Líbia, que teve início em meados de fevereiro.

A TV tunisiana informou que as forças líbias entraram em Dahiba na manhã de sexta-feira em 15 veículos.

"A violação dos territórios (tunisianos) pelas brigadas de Khadafi ocorreu nesta manhã durante o confronto pesado", informou o canal de televisão.

"Isso gerou um caos violento, inclusive no centro de Dahiba", acrescentou a emissora.

"Enquanto o Exército nacional e os guardas de fronteira dominavam as brigadas e confiscavam suas armas, os moradores de Dahiba e áreas próximas atiravam pedras contra os veículos da brigada, para mostrar que eram contra sua entrada na cidade."

Nas últimas semanas, milhares de pessoas passaram pelas fronteiras da Líbia para fugir da violência que atingiu o país nas últimas semanas.

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