Mãe presa por amarrar filha para evitar que comprasse drogas diz que faria tudo de novo

Julia Saker
Image caption Julia Saker foi solta sob liberdade condicional neste mês

Uma britânica condenada a um ano de prisão por amarrar as pernas da filha adolescente para evitar que ela saísse de casa para comprar heroína afirmou, em entrevista à BBC, que faria tudo novamente se precisasse.

Julia Saker, de 50 anos, que vive em Dover, na costa britânica, foi condenada em janeiro pela acusação de cárcere privado, mas recebeu a liberdade condicional neste mês.

“Este não é um crime que eu possa dizer ‘bem, nunca mais farei isso’”, disse ela. “Dadas as circunstâncias, talvez eu faria”, afirmou.

“Como mãe, não vi como poderia reagir de outra forma. Você não pode simplesmente dizer a um filho: então tudo bem, pode ir, vai lá, pegue umas drogas”, disse.

“Até hoje não sei a quem isso (sua condenação) serviu. Não me fez mudar de ideia sobre o que deveria ter feito e não serviu para proteger o público, porque nunca fui um perigo para ninguém”, afirmou Saker.

“Basicamente tudo o que aconteceu foi que eu perdi meu emprego, então estou recebendo seguro-desemprego, enquanto antes eu pagava impostos e era uma cidadã normal. Agora sou uma ex-prisioneira”, reclama.

Image caption Tabitha teria deixado de consumir heroína após a prisão da mãe

Durante o apelo legal contra a condenação, o marido de Saker, Tim, disse que a filha do casal, Tabitha, de 19 anos, disse que trocaria de lugar com a mãe se pudesse.

Segundo Tim, Tabitha deixou de usar drogas após o episódio.

“Esta é a coisa mais positiva que aconteceu por isso. Para conseguir esse resultado, eu teria ficado na prisão pelo tempo que fosse necessário, se esse fosse o estalo de que ela precisava”, disse Saker.

Em seu julgamento, o advogado dela argumentou que ela somente agiu “como qualquer mãe dedicada teria feito”.

Mas o juiz do caso afirmou que, apesar de compreender a pressão que os pais da adolescente estavam sofrendo, Saker “deveria ter buscado a ajuda das autoridades, em vez de aprisioná-la de maneira extremamente equivocada”.