Testemunhas relatam 15 mortos em mais protestos no sul da Siria

Protesto na cidade portuária de Banias, Síria (Reuters) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Ativistas convocaram 'dia de fúria' para esta sexta-feira na Síria

Testemunhas dizem que menos 15 pessoas teriam morrido nesta sexta-feira na região da cidade de Deraa, no sul da Síria, durante um protesto contra o governo que teria sido reprimido a tiros pelas forças de segurança do país.

Deraa está cercada por tanques e tropas desde segunda-feira, e, apesar de advertências das autoridades, milhares de pessoas foram às ruas nesta sexta para pedir reformas governamentais.

A agência estatal de notícias da Síria informou que quatro soldados foram mortos e duas pessoas foram presas quando o que a agência chamou de um “grupo armado de terroristas” atacou um posto militar. Essa informação não pôde ser confirmada pela BBC.

Milhares de manifestantes oposicionistas também teriam tomado as ruas da capital síria, Damasco. Os policiais na cidade teriam disparado gás lacrimogêneo contra os manifestantes assim que terminaram as preces de sexta-feira.

Também foram relatados protestos nas cidades de Homs, no oeste, Qamishli, no nordeste, e nas cidades litorâneas de Latakia e Baniyas, no oeste.

Oposicionistas haviam convocado para esta sexta-feira um "dia de fúria" e solidariedade com as vítimas de recentes confrontos entre as forças de segurança e manifestantes em Deraa.

Ativistas pró-direitos humanos estimam que mais de 500 pessoas já foram mortas na Síria por conta da repressão à onda de manifestações. A cifra não pode ser confirmada de maneira independente, já que jornalistas estrangeiros são proibidos de entrar no país.

Sem energia

Deraa, principal palco dos protestos de oposicionistas, está sem energia elétrica há dias. Ela foi tomada por tanques e soldados do Exército na última segunda-feira, em uma tentativa do governo de controlar as manifestações.

A cidade foi o local onde começaram as manifestações contra o presidente sírio, Bashar Al-Assad, seis semanas atrás.

Os protestos também ocorreram em vários bairros de Damasco e as forças de segurança usaram gás lacrimogêneo contra as multidões na área da mesquita Zein Al-Bedin.

Um repórter da BBC em Damasco, que não pode ser identificado por questões de segurança, afirmou que a multidão se reuniu para gritar frases contra o governo de Assad, há 11 anos no poder.

A forma como o governo sírio está enfrentando os protestos gerou críticas da comunidade internacional.

Autoridades da União Europeia estão reunidas em Bruxelas nesta sexta-feira para discutir sanções contra o governo de Assad e o Conselho de Direitos Humanos da ONU está realizando uma reunião de emergência em Genebra, para discutir a situação na Síria.

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