Oposição acusa presidente do Iêmen de sabotar acordo

O presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh. Direito de imagem AFP
Image caption Saleh se recusou a assinar o acordo como presidente do Iêmen

O principal grupo de oposição do Iêmen acusou o presidente Ali Abdullah Saleh de sabotar um acordo que poderia pôr fim à crise política no país.

O acordo, intermediado pelos países árabes do Golfo Pérsico, deveria ter sido assinado neste sábado pelo presidente, e determinava que ele deixaria o poder no prazo de 30 dias.

No entanto, Saleh disse que só estava preparado para assinar o termo como dirigente do partido governista, e não como presidente.

Um porta-voz da oposição disse que a recusa de Saleh de assinar como presidente do país é uma violação de uma parte essencial do acordo, que garantia imunidade penal ao presidente em troca da renúncia.

Segundo o porta-voz, o líder do Conselho de Cooperação do Golfo, Abdul-Latif al-Zayyani, que intermediaria o acordo, já deixou a capital do Iêmen, Sanaa.

A tensão sobre o acordo ocorre em meio a protestos anti-governo em diversas cidades do país.

Horas antes, pelo menos três pessoas foram mortas durante conflitos entre as forças de segurança e manifestantes anti-governo na cidade portuária de Aden.

Oficiais disseram que dois dos três mortos eram membros das forças de segurança, que tentavam desfazer barricadas colocadas pelos manifestantes nas ruas do bairro al-Mansoura.

Na última quarta-feira forças de segurança dispararam contra manifestantes na capital, matando pelo menos cinco pessoas.

Direito de imagem Reuters
Image caption Os protestos contra o governo já deixaram mais de 130 pessoas mortas

Os conflitos entre as forças de segurança e os manifestantes anti-governo já deixaram mais de 130 pessoas mortas desde que os protestos começaram no país em janeiro. Saleh está no poder há 32 anos.

Acordo `frustrado´

Zayyani, o secretário geral do Conselho de Cooperação do Golfo, união que congrega os países da região, voou para Sanaa para pedir que o presidente assinasse o acordo, aceito pelo partido governista há uma semana.

Se assinasse o acordo, o presidente teria concordado em ceder o poder ao vice-presidente em troca de imunidade.

No entanto, um político aliado de Saleh, Abed al-Jundi, disse que ele insistiu que só deveria assinar o acordo na condição de líder do seu partido.

Sultan al-Atwani, um oficial do principal grupo de oposição do país, acusou Saleh de “frustrar o acordo”.

Segundo ele, Zayyani informou à oposição que Saleh “se recusou a assinar como presidente”.

Os ativistas anti-governo disseram que permanecerão nas ruas enquanto Saleh estiver na presidência.

A coalisão de oposição aprovou o acordo depois de ser “assegurada” pelos países do Golfo, os Estados Unidos e a Europa sobre a transferência do poder.

No entanto, os jovens manifestantes anti-governo acusam os políticos de oposição de quebrarem a promessa de levarem o presidente à julgamento.

Notícias relacionadas