Velejadora argentina de 66 anos embarca em travessia solitária pelo Atlântico

Direito de imagem b
Image caption Segundo Canessa, viagem deve durar cerca de dois meses

A velejadora argentina Aurora Canessa, de 66 anos, embarca nesta segunda-feira em uma travessia solitária pelo oceano Atlântico. Ela vai partir da ilha caribenha de St. Maarten com destino a Cascais, em Portugal.

A viagem terá 6.500 quilômetros e deve terminar em dois meses. “Estou emocionada e digo a mim mesma que na minha idade ainda podemos fazer muitas outras coisas”, disse Canessa, por telefone, à BBCBrasil.

Canessa vivia como pescadora em lancha nos anos 1980, na Argentina, quando se divorciou. Pouco tempo depois, em 1992, já com um pequeno veleiro, velejou até as Ilhas Malvinas (Falklands para os ingleses) com um grupo de profissionais.

Em 2005, ganhou uma competição no Rio da Prata, entre Argentina e Uruguai. “Estou fascinada com os desafios que enfrentei e com este novo que começa segunda-feira”.

Ela conta que sua maior preocupação será como administrar o sono - especialmente durante a noite na travessia pelo oceano Atlântico. “Comprei um despertador, como os de cozinha, que vou colocar para despertar a cada vinte minutos”, disse. Seu temor é com os cruzeiros e outros navios que podem aparecer no seu caminho na escuridão.

“Mas estou muito animada e me preparei bem para esta viagem”, disse.

Jorge Amado

A velejadora leva no barco, chamado Shipping, legumes, frutas e verduras e algumas roupas. Ela fará uma escala em Bermudas e outra nas Ilhas Azores, onde o veleiro será revisado antes da parada final, no porto de Cascais.

“Não conheço Cascais, mas vi na internet e achei um lindo lugar para desembarcar nesta minha linda viagem”, afirmou.

Image caption A velejadora (esq.) disse que vai acordar à noite a cada 20 minutos

A esportista argentina é leitora de Jorge Amado e prefere samba ao tango. “O tango às vezes me gera baixo astral. Já o samba me provoca alegria o dia inteiro”, disse.

Canessa está viajando com seu veleiro há mais de um ano. Partiu do Rio de Janeiro, com outros velejadores brasileiros, chegou até Fernando de Noronha, onde se encontrou com outros esportistas do ramo e dali partiu até a St. Maarteen.

“Com os brasileiros tem sempre muita caipirinha e feijoada. Foram meus amigos na viagem até aqui”, disse.

Pelos seus cálculos, ela chegará no fim de junho em Cascais. “Até lá vou atualizar meu site todos os dias. Vou contar cada detalhe desta travessia que muitos como eu conhecemos dos livros, mas não da realidade. Vai ser um sonho realizado.”

Ela contou que o outro desafio, logo após o fim da viagem poderá ser ainda mais difícil. “Reencontrar o grande amor que conheci há tão poucos dias. Mas se Deus quiser tudo vai dar certo”.

Notícias relacionadas