Países do Golfo tentam salvar acordo de renúncia do presidente do Iêmen

Protestos contra o governo em Sanaa, no Iêmen. Direito de imagem AP
Image caption Países do Golfo tentam realizar acordo de paz em meio a protestos no Iêmen

O Conselho de Cooperação do Golfo, que congrega os países árabes da região do Golfo Pérsico, decidiu enviar novamente seu secretário geral, Abdul-Latif al-Zayyani, para o Iêmen, para tentar salvar um acordo que pode pôr fim à crise no país.

Após meses de manifestações anti-governo, o partido governista concordou em assinar um acordo que previa a criação de um governo de unidade nacional, o fim dos protestos e a renúncia do presidente Ali Abdullah Saleh, em troca de imunidade penal.

O acordo deveria ter sido assinado no último sábado. No entanto, Saleh se recusou a assinar o termo na posição de presidente.

Após o recuo do presidente, grupos de oposição do Iêmen disseram que não iriam para a Arábia Saudita neste domingo, para uma reunião que finalizaria a proposta de paz.

A oposição diz que a recusa de Saleh em assinar o termo significa que não há motivos para ir até Riyadh, a cidade saudita onde o acordo seria finalizado.

Tentativa

Zayyani voou para Sanaa no último sábado, para pedir que o presidente assinasse o acordo, aceito pelo partido governista há uma semana.

Se assinasse o acordo, Saleh teria concordado em ceder o poder ao vice-presidente nos próximos 30 dias, em troca de imunidade penal.

No entanto, um político aliado de Saleh, Abed al-Jundi, disse que ele insistiu que só deveria assinar o termo na condição de líder do seu partido.

Um porta-voz da oposição acusou o presidente de estabelecer novas condições repetidamente, para adiar a finalização do acordo de paz.

A tensão ocorre em meio a protestos anti-governo em diversas cidades do país.

No último sábado, pelo menos três pessoas foram mortas durante conflitos entre as forças de segurança e manifestantes anti-governo na cidade portuária de Aden.

Na quarta-feira, forças de segurança dispararam contra manifestantes na capital, matando pelo menos cinco pessoas.

Os conflitos entre as forças de segurança e os manifestantes anti-governo já deixaram mais de 130 pessoas mortas desde que os protestos começaram no país em janeiro. Saleh está no poder há 32 anos.

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