Vizinhos de Bin Laden descrevem impressões sobre mansão em Abbottabad

Mansão que abrigava Bin Laden (Foto: Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption Isolamento e segurança da casa chamavam a atenção da vizinhança

Um calmo subúrbio em Abbottabad, no noroeste do Paquistão, foi o improvável cenário da morte de Osama Bin Laden.

Durante a noite, moradores da região - pessoas de classe média, militares e empresários aposentados – acordaram ouvindo tiros saídos de um helicóptero.

Eles me contaram que logo imaginaram que, se alguma casa estivesse sendo atacada, seria a mansão protegida por arame farpado e cujos misteriosos moradores eram raramente vistos.

Um dos vizinhos de Bin Laden, que morava a apenas 100 metros do extremista, disse ter subido em seu telhado para observar a operação americana. “O helicóptero passou pela minha casa, voando muito baixo. Joguei-me no chão achando que ele ia bater na minha casa”, disse Zahoor Abbasi.

Então, ele disse, ocorreu uma grande explosão, e pouco depois tudo parecia ter voltado ao normal.

Abbasi disse que ele não tinha ideia que se tratava da casa de Bin Laden. Não havia, segundo ele, rumores ou pistas de que o extremista morasse ali.

Vizinho furtivo

Mas Abbasi disse que, desde que se mudou à região, há seis anos, teve a sensação de que a mansão era um lugar perigoso, a ser evitado.

A segurança da mansão era extraordinária: muros de 4,5 metros de altura ao redor do local; um muro de 2 metros no segundo andar; portões protegidos por câmeras de vigilância.

De vez em quando, veículos blindados entravam e saíam do local com pouco alarde. Os portões se fechavam rapidamente.

Abbottabad tem a reputação de ser uma cidade calma, tranquila e com altas taxas de alfabetização, boas escolas e um clima ameno.

É uma zona agrícola, e muitas das casas foram construídas há apenas cinco ou seis anos. Ninguém sabe dizer desde quando existe a mansão que abrigava Bin Laden, mas calcula-se que a casa tenha dez ou 12 anos, época em que a vizinhança era bem mais remota. À medida que mais pessoas se mudaram para os arredores, a privacidade diminuiu.

E o fato de haver tão pouco movimento na mansão chegou a chamar a atenção dos vizinhos. Também intrigava o fato de que, nos últimos dois meses, pessoas em roupas simples percorreram os arredores se apresentando como potenciais compradores e perguntando sobre a região.

Um vizinho diz acreditar que se tratavam de pessoas disfarçadas, tentando obter informações sobre o local.

Conexão pashto

Quando as forças americanas iniciaram o ataque de domingo contra a mansão, muitos vizinhos pensaram que se tratava de uma ofensiva do Talebã, já que a poucos metros dali funciona uma academia do Exército paquistanês – alvo comum dos extremistas.

Além disso, muitas famílias da etnia pashto (majoritária no Afeganistão e no próprio Talebã) haviam se mudado para a região, trazendo consigo os costumes de isolar as mulheres do contato com o mundo exterior. Isso seria uma possível explicação, na mente dos vizinhos, para o isolamento da mansão.

A possibilidade de a mansão estar sendo ocupada pelo Talebã chegou a passar pela cabeça de um dos residentes de Abbottabad com quem conversei, justamente pelo fato de a região estar sendo habitada por famílias pashtos.

Mas os moradores da mansão eram tão isolados que é improvável que tenham tido relações com os pashtos tranquilos que habitam este calmo subúrbio.