Interpol pede que países reforcem a segurança após morte de Bin Laden

Cartaz pede captura ou morte de Bin Laden logo após ataques de 11 de setembro de 2001 Direito de imagem Reuters
Image caption Para Interpol, Al Qaeda pode agir para 'tentar provar que ainda existe'

A Interpol, agência internacional de polícia, advertiu nesta segunda-feira que a morte do líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden, pode levar a represálias pelo mundo e pediu que os países-membros elevem suas medidas de segurança.

“O terrorista internacional mais procurado já não existe. Mas a morte de Bin Laden não representa o fim dos afiliados à Al-Qaeda e daqueles inspirados pela Al-Qaeda, que promoveram e continuarão a promover ataques terroristas em todo o mundo”, advertiu em um comunicado o secretário-geral da organização, Ronald Noble.

“Precisamos por isso permanecer unidos e focados em nossa cooperação e nossa luta em andamento, não apenas contra essa ameaça global, mas também contra o terrorismo promovido por qualquer grupo em qualquer lugar”, afirmou Noble.

A Interpol é uma central de informações internacional que auxilia na cooperação de polícias de diferentes países e tem 188 países-membros.

Segundo Noble, a organização está “em alerta total por atos de retaliação se a Al-Qaeda tentar provar que ainda existe”.

Segurança intensificada

Vários países também anunciaram medidas para intensificar a segurança após a notícia da morte de Bin Laden.

O ministro das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, William Hague, que está no Cairo, no Egito, disse à BBC ter ordenado uma revisão dos sistemas de segurança das embaixadas do país em todo o mundo, por temor de represálias da Al-Qaeda.

"Poder haver partes da Al-Qaeda que tentarão mostrar nas próximas semanas que ainda estão ativas, como de fato algumas estão", afirmou.

O ministro das Relações Exteriores da França, Alain Juppé, afirmou que a morte de Bin Laden é extremamente simbólica, mas advertiu que há outras pessoas prontas a assumir o lugar de Bin Laden.

“A estrutura da Al-Qaeda permanece no lugar e há um número dois e um número três. Já vimos isso no Afeganistão, quando uma rede é desmantelada e logo aparece uma reposição”, disse.

“Há grupos descentralizados, que dizem ter ligações com a Al-Qaeda, mas que têm certa autonomia e que continuarão seu trabalho. A ameaça do terror não desapareceu, então precisamos permanecer completamente vigilantes”, afirmou ele à rádio Europe 1.

‘Alívio’

A chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, disse ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que está “aliviada” com a morte de Bin Laden, mas advertiu que o terrorismo internacional ainda não foi derrotado.

Segundo ela, “as forças da paz” tiveram sucesso na operação da noite de domingo, mas todos devem se manter vigilantes.

O Japão, outro aliado americano, também anunciou o aumento das medidas de segurança nas bases de suas Forças de Autodefesa por temor de ataques de represália.

O ministro japonês das Relações Exteriores, Takeaki Matsumoto, disse que a morte de Bin Laden é “um progresso significativo das medidas de antiterrorismo”, mas advertiu que “isso não é o fim da história”.

“É preciso manter o olhar atento sobre as atividades da Al-Qaeda, com a comunidade internacional cooperando de maneira próxima e lidando com a questão com firmeza”, disse ele.