Prisões políticas estão crescendo na Coreia do Norte, diz Anistia

Imagem de satélite mostra locais onde a Anistia crê que estejam campos prisionais na Coreia do Norte (Foto: Anistia Internacional) Direito de imagem Other
Image caption Imagens de satélite mostram que 'campos estão cada vez maiores' (Foto: Anistia Internacional)

O regime norte-coreano parece estar mandando cada vez mais prisioneiros políticos para campos de detenção, informou nesta terça-feira a ONG Anistia Internacional, que disse usar fotos de satélite como base para suas conclusões.

O recluso regime de Pyongyang nega que haja campos de detenção no país. Mas a Anistia afirma que os locais existem desde os anos 1950 e abrigam, atualmente, estimadas 200 mil pessoas.

As fotos de satélite, segundo a ONG de direitos humanos, mostram que os campos estão aumentando de tamanho, com a construção de novas instalações físicas.

O fato causa alarme num momento em que se especula que o líder Kim Jong-il – que, acredita-se, tem a saúde debilitada – esteja preparando sua sucessão.

“Enquanto a Coreia do Norte parece estar se preparando para um novo líder, Kim Jong-un (filho de Kim Jong-il), e para um período de instabilidade política, a grande preocupação é que os campos de detenção parecem estar cada vez maiores”, declarou Sam Zarifi, diretor da Anistia para a região Ásia-Pacífico.

“Esses lugares estão escondidos dos olhos do resto mundo e ignoram as proteções aos direitos humanos que o direito internacional tentou estabelecer nos últimos 60 anos.”

Maus-tratos

O relatório da Anistia afirma, a partir de relatos de ex-detentos e guardas, que os prisioneiros desses campos são torturados, passam fome e são forçados a trabalhar em regime que beira a escravidão.

“Todos os detentos da prisão política de Yodok testemunharam execuções públicas (de outros prisioneiros)”, diz o texto.

Kim, um ex-prisioneiro de Yodok entrevistado para o relatório, contou que “todos os que tentaram escapar (do local) foram pegos. Eles eram interrogados por dois ou três meses e depois eram executados”.

Alguns dizem que, para suportar a ausência de refeições, se alimentaram de ratos e de grãos de milho encontrados em meio a dejetos de animais.

O governo norte-coreano não fez até o momento nenhuma declaração sobre o relatório da Anistia.

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