Governo turco muda de posição e defende saída de Khadafi

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Image caption Erdogan disse que Khadafi deve deixar a Líbia imediatamente

O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, disse nesta terça-feira que o líder líbio, coronel Muamar Khadafi, deve deixar o poder, em uma mudança na posição em relação ao conflito entre as forças fiéis a Khadafi e insurgentes no pais norte-africano.

"Muamar Khadafi infelizmente preferiu o derramamento de sangue, a repressão, as lágrimas e o ataque contra seu povo em vez de ouvir os nossos conselhos", disse Erdogan em um discurso.

"Neste ponto, a melhor coisa a fazer é ele renunciar e deixar o país imediatamente", afirmou o premiê. "A Líbia não é propriedade privada da família de alguém, ela pertence a todos os líbios."

Erdogan afirmou que o seu país se unirá, na próxima quinta-feira, ao Grupo Internacional de Contato, formado pelos Estados Unidos, países europeus e do Oriente Médio, além de organizações internacionais, para intermediar a crise na Líbia.

O correspondente da BBC em Trípoli Christian Fraser afirma que a mudança de posição turca é um golpe para Khadafi, já que Ancara, embora não apoiasse o regime líbio, mostrava-se favorável à reconciliação nacional e se prontificou a mediar negociações entre as partes.

O governo turco também havia expressado suas reservas a possíveis bombardeios de países ocidentais na Líbia, antes da aprovação da zona de exclusão aérea na Líbia pelo Conselho de Segurança da ONU.

Fraser afirma que a embaixada turca em Trípoli - um importante canal diplomático, que foi mantido aberto durante os dois meses do conflito - será fechada.

Nessa segunda-feira, o embaixador britânico na Líbia foi chamado de volta pelo ministro do Exterior, William Hague. Os observadores da ONU também foram retirados do país, depois que embaixadas ocidentais foram queimadas e saqueadas.

Khadafi não aparece na televisão estatal desde sábado, dia em que escapou por pouco de um ataque das forças da Otan.

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Protestos contra a Turquia

Segundo o correspondente da BBC no Cairo Jonathan Head, a tentativa de Ancara de buscar o equilíbrio na Líbia causou protestos contra a Turquia em Benghazi, principal cidade sob controle dos rebeldes líbios.

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Image caption Misrata, no oeste, continua sendo palco de violentos choques na Líbia

Head afirma que a alegação turca de que teria alguma influência sobre Khadafi se manifestou poucas vezes na prática, como na soltura de jornalistas estrangeiros e nas breves tréguas nos combates na disputada cidade portuária de Misrata.

O correspondente da BBC afirma que a revolta popular em relação à grave situação dos civis em Misrata provavelmente levou o governo turco a mudar de posição, apenas um mês antes das eleições gerais no país.

De acordo com Head, a Turquia está tendo ainda mais dificuldades em formular uma política para a Síria, com a qual possui uma extensa fronteira e fortes relações comerciais.

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Empréstimo

Os rebeldes líbios, que controlam o leste do país, dizem esperar que as potências estrangeiras emprestem a eles entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões (entre R$ 3,1 bilhões e R$ 4,7 bilhões), para pagar por comida, remédios e salários.

Os insurgentes afirmam ter dinheiro suficiente para se manter por apenas mais um mês. No fim desta semana, a Itália sediará uma reunião do Grupo Internacional de Contato, que discutirá maneiras de aumentar a venda de petróleo dos rebeldes.

A oposição líbia diz estar gastando entre US$ 40 milhões e US$ 90 milhões (entre R$ 63 milhões e R$ 142 milhões) por dia para manter o leste do país sob seu controle.

Uma pequena quantidade de petróleo produzido em áreas controladas pelos rebeldes está sendo vendido. No entanto, a produção está bem abaixo dos 1,5 milhões de barris por dia registrados antes dos conflitos.

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