Morte de Bin Laden foi ato legítimo de autodefesa, dizem EUA

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Image caption Holder respondeu perguntas de congressistas sobre a operação

O secretário de Justiça dos Estados Unidos, Eric Holder, disse nesta quarta-feira que a morte do líder da rede Al-Qaeda, Osama Bin Laden, durante uma operação de forças especiais americanas no Paquistão, foi um ato legítimo de autodefesa.

"Ele era o líder da Al-Qaeda, uma organização que conduziu os ataques de 11 de Setembro. Ele admitiu seu envolvimento. A operação contra Bin Laden foi justificada como um ato de autodefesa nacional", disse Holder, em audiência na Comissão de Justiça do Senado americano.

"Ele era, na minha opinião e na opinião do Departamento de Justiça, um alvo militar legítimo, e a operação foi conduzida de maneira compatível com a nossa lei, com os nossos valores", afirmou o secretário, ao responder perguntas dos congressistas sobre detalhes da operação de 40 minutos que levou à morte de Bin Laden.

"Se ele tivesse se rendido, tentado se render, eu acho que nós obviamente deveríamos ter aceito. Mas não havia indicação de que ele quisesse fazer isso, e por isso sua morte foi apropriada."

Bin Laden foi morto no último domingo, quando forças americanas invadiram a mansão onde vivia escondido na cidade de Abbottabad, a cerca de 100 km da capital do Paquistão, Islamabad.

O líder da Al-Qaeda ocupava o primeiro lugar na lista dos mais procurados pelos Estados Unidos e era acusado de ser o mentor de diversos atentados contra alvos americanos e ocidentais, entre eles os de 11 de setembro de 2001, que mataram quase 3 mil pessoas em Nova York e Washington.

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Detalhes

Os congressistas americanos questionaram Holder sobre a legalidade da ação, depois que o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, disse na terça-feira que Bin Laden não estava armado, mas mesmo assim teria tentado resistir à captura, e foi morto com um tiro na cabeça.

Carney não deu, porém, detalhes de como Bin Laden teria resistido sem armas.

A declaração do porta-voz foi feita um dia depois de o principal assessor da Casa Branca para assuntos de segurança nacional e contraterrorismo, John Brennan, ter dito que Bin Laden foi morto em uma troca de tiros com as forças americanas.

Brennan também afirmou que o líder da Al-Qaeda teria usado uma de suas esposas como escudo humano, e que a mulher havia sido morta.

Essa informação foi desmentida por Carney, que disse que uma mulher tentou confrontar as forças americanas e levou um tiro na perna, mas sobreviveu.

Segundo o governo americano, o corpo de Bin Laden foi enterrado no mar, em um funeral ministrado pelas forças americanas de acordo com os ritos religiosos islâmicos, e testes de DNA confirmaram sua identidade.

Desde o anúncio da morte de Bin Laden, feito no fim da noite de domingo em um pronunciamento do presidente Barack Obama transmitido pela TV, a Casa Branca vem sofrendo crescentes pressões para divulgar fotos do corpo.

O governo americano teme, porém, que a divulgação das imagens possa inflamar ainda mais os apoiadores de Bin Laden no Paquistão e em outros locais, que já prometeram lançar novos ataques contra alvos americanos e ocidentais. Segundo Carney, as imagens são “terríveis” e poderiam ter um efeito “incendiário”.

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Lista de suspeitos

Em seu depoimento, Holder disse que o material recolhido pelas forças americanas no esconderijo de Bin Laden poderá levar os Estados Unidos a incluir novos nomes na lista de pessoas proibidas de viajar e sob observação por suspeita de terrorismo.

"À medida que coletarmos informações a partir desse material, nós tomaremos as decisões apropriadas sobre quem pode ser incluído em listas de suspeitos de terrorismo e de proibição de viagens", disse o secretário.

Entre o material recolhido, estão documentos, DVDs, dez computadores, dez telefones celulares e cerca de cem pen drives.

Uma força-tarefa especial foi encarregada de analisar o material, para identificar possíveis pistas sobre planos de novos ataques contra os Estados Unidos.

Segundo fontes do governo americano, também foram encontrados presos à roupa de Bin Laden dois telefones celulares e 500 euros (cerca de R$ 1,2 mil), o que indicaria que o líder da Al-Qaeda estava preparado para uma fuga rápida.

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