Morte de Bin Laden

Paquistão diz que mundo 'fracassou' na busca por Bin Laden

Foto: AFP

Casa onde Bin Laden foi morto fica perto da maior academia militar do Paquistão

O primeiro-ministro do Paquistão, Yousuf Raza Gilani, disse que os serviços de inteligência do mundo dividem a culpa pelo fracasso de seu país em capturar Osama Bin Laden, que foi morto no domingo durante uma operação americana.

"Houve um fracasso da inteligência do resto do mundo, incluindo os Estados Unidos", disse Gilani a jornalistas em Paris.

Ele acrescentou que o Paquistão precisa "do apoio do mundo todo", para combater militantes.

"Estamos lutando e pagando um preço alto", disse o primeiro-ministro, acrescentando que seu governo está "lutando não apenas pelo Paquistão, mas pela paz, prosperidade e progresso do mundo todo".

"Estamos na guerra contra o terrorismo, e temos a determinação, temos a habilidade, e temos a vontade de lutar contra o extremismo e terrorismo", afirmou Gilani.

O Paquistão vem sendo criticado por não ter localizado Bin Laden, que vivia a poucas centenas de metros da maior academia militar do país, em Abbottabad.

A visita do primeiro-ministro paquistanês à França tinha como tema principal o comércio entre os dois países, mas o anúncio da morte do líder da Al-Qaeda fez com que as atenções se voltassem para o terrorismo.

O ministro do Exterior francês, Alain Juppé, disse que é difícil acreditar que as autoridades paquistanesas não soubessem que Bin Laden estava vivendo no país.

Gilani ainda vai se encontrar com o presidente Nicolas Sarkozy e deverá enfrentar questionamentos ainda mais pesados sobre a presença de Bin Laden no Paquistão.

'Desconcertante'

Mais cedo, o ministro do Exterior paquistanês, Salman Bashir, criticou declarações feitas por autoridades americanas de que o país não era confiável e por isso não foi informado dos detalhes da operação que matou Osama Bin Laden.

O diretor da CIA, Leon Panetta, disse que nenhuma informação de inteligência foi compartilhada com o Paquistão devido a temores de que o sucesso da operação fosse colocado em risco.

Bashir disse à BBC que esta visão é "desconcertante" e que seu país teve um "papel fundamental" na luta contra o terrorismo.

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Tocar com outro programa

O chanceler paquistanês também disse que Panetta tem direito a suas opiniões, mas que o Paquistão cooperou amplamente com os Estados Unidos.

Ele disse que o complexo em Abbottabad, onde Bin Laden foi encontrado e morto no domingo, já havia sido identificado como suspeito há algum tempo pelos serviços de inteligência do Paquistão (ISI), mas que foram necessários os abundantes recursos dos Estados Unidos para determinar que se tratava do esconderijo do líder da Al-Qaeda.

"Na maioria das coisas que aconteceram em termos de luta global anti-terrorismo, o Paquistão teve papel fundamental", disse Bashir.

"Então é um pouco desconcertante quando temos declarações como esta."

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'Incompetência'

Na terça-feira, o Ministério do Exterior do Paquistão defendeu o ISI e divulgou uma longa nota expressando "profundas preocupações e reservas" sobre a ação americana.

O Ministério insistiu que ações unilaterais não podem se tornar norma e enfatizou que a inteligência paquistanesa vinha compartilhando informações com os Estados Unidos nos últimos anos.

"Em relação ao complexo em questão, ISI tem compartilhado informações com a CIA e outras agências de inteligência desde 2009."

De acordo com analistas, se Bin Laden estava realmente escondido no local há cinco anos, como se suspeita, as autoridades paquistanesas foram incrivelmente incompetentes ou estavam protegendo o líder da Al-Qaeda.

Detalhes

A Casa Branca vem divulgando detalhes da operação que matou Osama Bin Laden, incluindo o fato de que ele estava desarmado quando foi alvejado, após resistir à prisão.

Dois de seus mensageiros e uma mulher morreram no ataque, enquanto uma das esposas de Bin Laden ficou ferida.

Os Estados Unidos não fizeram comentários sobre ninguém que foi capturado, revelaram apenas que o corpo de Bin Laden foi sepultado no mar.

No entanto, a declaração divulgada pelo Ministério do Exterior paquistanês dizia que o restante da família de Bin Laden "está agora em segurança e sendo tratada de acordo com a lei".

Autoridades americanas vem discutindo como e quando divulgar as fotos do corpo de Bin Laden como forma de jogar por terra teorias que defendem que ele não morreu.

O porta-voz da Casa Branca Jay Carney disse que a imagem "pavorosa" poderia ofender algumas pessoas, mas Panetta disse que não há dúvidas de que, em algum momento, ela terá de ser trazida a público.

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