Grupo internacional aprova ajuda financeira para rebeldes da Líbia

Trabalhadores imigrantes esperam transporte depois de chegar no porto de Benghazi, vindos de Misrata (AP) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Trabalhadores imigrantes esperam transporte depois de chegar no porto de Benghazi, vindos de Misrata

O Grupo de Contato da Líbia, formado por integrantes da Otan, países árabes e organizações internacionais decidiu nesta quinta-feira, em uma reunião em Roma, criar um fundo temporário para enviar ajuda financeira aos rebeldes líbios.

O ministro do Exterior da França, Alain Juppé, afirmou que o fundo, que já teria recebido US$ 250 milhões, deve ser disponibilizado dentro de algumas semanas.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que está em Roma participando da reunião, afirmou que o governo americano vai tentar dar aos rebeldes acesso aos bens do governo líbio que foram congelados em contas bancárias em outros países.

Antes da reunião, Clinton disse que o resultado desejado pelo grupo é o fim da violência do regime do coronel Muamar Khadafi contra civis e uma "transição democrática" na Líbia.

"Hoje (quinta-feira) vamos discutir formas de aumentar a pressão a Khadafi e àqueles em volta dele, diplomaticamente, politicamente, economicamente, e como podemos conseguir o resultado que o povo da Líbia e a comunidade internacional querem - um fim à violência contra civis e o início de uma transição democrática para um futuro melhor", afirmou.

O ministro do Exterior britânico, William Hague, afirmou que também serão feitos esforços para evitar que o governo de Khadafi possa exportar petróleo ou importar produtos refinados.

Os rebeldes que controlam as cidades líbias de Misrata e Benghazi afirmam que precisam de ajuda. Em Benghazi, principal cidade sob controle dos insurgentes, o governo rebelde diz estar ficando sem dinheiro.

Segundo a agência de notícias Associated Press, um porta-voz do Conselho Nacional de Transição líbio afirmou que os rebeldes precisam de US$ 1,5 bilhão para continuar com as batalhas terrestres.

Em Misrata, os rebeldes afirmam que precisam de mais ataques aéreos da Otan, além de mais armas e munição, para continuar com a luta para manter as forças leais a Khadafi fora da cidade.

A Otan está cumprindo uma resolução do Conselho de Segurança da ONU e realizando ataques aéreos para tentar proteger a população civil durante o conflito entre as forças de Khadafi e os insurgentes.

Navio

Enquanto o grupo reunido em Roma decide sobre a ajuda financeira aos rebeldes da Líbia, um navio conseguiu, em meio a tiros das forças leais a Khadafi, retirar pessoas do porto de Misrata e levá-las a Benghazi, no leste do país.

O navio Red Star One foi fretado pela Organização Internacional de Imigração e foi alvo de disparos no momento em que atracou no porto de Misrata para a retirada de feridos e estrangeiros. Cinco pessoas foram mortas.

Em meio a cenas de pânico, famílias foram separadas e o navio teve de atracar mais duas vezes antes de finalmente deixar o porto com 1,3 mil passageiros, a maioria feridos e trabalhadores estrangeiros presos na cidade, cercada pelas forças do governo.

Segundo o correspondente da BBC em Benghazi John Sudworth, os passageiros já chegaram a Benghazi.

Misrata é a única cidade importante no oeste da Líbia que ainda está sendo mantida pelos rebeldes que tentam derrubar Khadafi.

Os rebeldes estão no comando de grande parte do leste do país, em volta de Benghazi, enquanto as forças leais a Khadafi mantêm a maior parte do oeste.

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