Exército sírio ocupa subúrbio perto de Damasco

Image caption Manifestante queima foto do presidente Assad em protesto na Síria

Tropas sírias tomaram o bairro de Saqba, nos arredores da capital, Damasco, palco de protestos pacíficos contra o governo sírio na semana passada, de acordo com testemunhas.

Centenas de tanques e soldados ocuparam as ruas durante a noite, entrando nas casas e efetuando prisões.

Jornalistas estrangeiros são proibidos de entrar na Síria. Os relatos são de que, apesar da repressão, as manifestações contra o regime de Bashar Assad continuaram.

As cidades de Homs e Hama, ao norte da capital, também são palcos de manifestações.

Tropas e tanques foram enviados para a cidade de Rastan, próxima a Homs, e cercaram Baniyas, na costa, perto de Hama.

Estima-se que mais de 500 pessoas morreram desde o início das manifestações, no dia 15 de março. O governo diz que quase 80 integrantes das forças de segurança foram mortos nesse período.

A polícia síria prendeu pelo menos 2,8 mil pessoas em todo o país – grupos de direitos humanos alertam que o número pode ser maior.

Cidade sitiada

Deraa, cidade no sul no país onde começaram os protestos contra o governo, em meados de março, está sitiada desde o final de semana passado. Não é permitida a entrada ou saída de ninguém.

Estoques de alimentos e remédios estão acabando, segundo moradores. As comunicações estão cortadas.

Na terça-feira, o porta-voz do Departamento de Estado americano, Mark Toner, afirmou que o uso de tanques, prisões arbitrárias e cortes na energia elétrica em Deraa são medidas "bárbaras e significam uma punição coletiva de civis inocentes".

A Síria é considerada um dos mais repressivos países árabes. Os protestos contra o governo são inspirados nos levantes populares que derrubaram os governos de Tunísia e Egito e deflagraram a crise na Líbia.

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