Japão investiga rede de churrascarias após mortes por intoxicação alimentar

O presidente da Foods Forus, Yasuhiro Kanzaka, pede desculpas pelos incidentes (Foto: AFP/Getty Images) Direito de imagem AFP
Image caption O CEO da Foods Forus, Yasuhiro Kanzaka, pede desculpas

A morte de quatro pessoas e internação de cerca de 30 por intoxicação alimentar após o consumo de carne crua em uma rede de "yakiniku" – espécie de churrascaria no estilo japonês – levou o Ministério da Saúde e Bem-Estar do Japão a orientar os governos das províncias a realizar inspeções emergenciais de condição sanitária em todos os restaurantes que comercializam o prato.

A mais recente vítima foi uma senhora de 70 anos, moradora da cidade de Tonami, na província de Toyama, que morreu na quinta-feira em decorrência de complicações ligadas a uma infecção bacteriana adquirida após o consumo de um prato de carne crua.

Segundo o jornal <i>Mainichi</i>, a mulher estava internada desde o dia 23 de abril e era parente de outra vítima, de 40 anos, que morreu na última quarta-feira.

As duas jantaram juntas em um dos 20 restaurantes da rede Yakiniku-Zakaya Ebisu. Outros membros da mesma família continuam internados.

No Japão, é comum o consumo de carnes cruas. Entre os principais pratos estão o "sashimi" (peixe cru), o "basashi" (carne de cavalo), o "rebasashi" (fígado de vitela) e "shikasashi" (carne de veado).

O prato consumido pelas vítimas de intoxicação alimentar foi o "yukhoe", iguaria típica coreana feita com tiras finas de carne crua temperada com vários tipos de molhos e acompanhada de um ovo cru no topo.

<b>Bactéria</b>

Além das duas mulheres, dois garotos, ambos de 6 anos de idade, morreram no final de abril nas províncias de Toyama e Fukui depois de terem sido internados com intoxicação alimentar. Os dois também comeram na mesma rede de restaurantes.

Segundo investigações da polícia, a primeira vítima teria consumido o prato contaminado no dia 17 de abril. A outra criança morta comeu na rede no dia 21 de abril.

Segundo os médicos, os meninos estavam infectados com a perigosa bactéria E.coli enterohemorrágica O-111. Além dela, o sorotipo O-157 também foi encontrado nas mais de 90 vítimas de intoxicação alimentar, das quais 29 estão internadas em estado grave.

Em casos extremos, a bactéria pode causar diarreia hemorrágica e falência de alguns órgãos.

Yasuhiro Kanzaka, presidente da Foods Forus Co., empresa que opera a rede de restaurantes, pediu desculpas publicamente às vítimas e disse à imprensa que a carne foi comprada de um fornecedor de Tóquio.

Esta distribuidora teria dito, em depoimento a oficiais do Ministério da Saúde, que a carne deveria ter sido consumida cozida. Já os responsáveis da Foods Forus Co. dizem que o fornecedor teria assegurado que a carne poderia ser consumida crua.

Kanzaka admitiu, no entanto, que não solicitou testes na carne comprada para a detecção de bactérias, como requer a lei sanitária do Japão.

"Não fomos rigorosos o suficiente (com a segurança alimentar)", disse Kanzaka à imprensa.

Segundo divulgou o jornal <i>Yomiuri</i>, o executivo admitiu também que, desde 2009, a empresa não faz análise da carne comprada.

"Nunca tivemos um resultado positivo (para teste de bactéria). Então achávamos que nossa carne era livre de bactérias", disse.

Kanzaka afirmou ainda que nenhum restaurante no Japão hoje estaria apto a cumprir as determinações sanitárias em relação à venda de pratos de carne crua.

"O governo deveria tornar ilegal a venda de pratos à base de carne crua", sugeriu.

Após o episódio, o Ministério da Saúde japonês considerou a possibilidade de endurecer as regras para a venda e comercialização de pratos com carne crua.

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