Presidente eleito em novembro toma posse na Costa do Marfim

Ouattara, em cerimônia de posse nesta sexta (AP) Direito de imagem AP
Image caption Ouattara é empossado após quatro meses de confrontos no país

Alassane Ouattara, eleito em novembro presidente da Costa do Marfim, tomou posse nesta sexta-feira, após meses de confrontos, violência e paralisia política no país.

A eleição de Ouattara havia sido questionada pelo ex-presidente Laurent Gbagbo, que disputava a reeleição e que, alegando fraudes no pleito, se recusou a deixar o poder.

A partir de então, simpatizantes dos dois lados protagonizaram quase meio ano de violentas disputas.

Gbagbo acabou detido em abril – se rendeu após uma ofensiva militar contra a residência presidencial.

Nesta sexta, Ouattara foi empossado pelo líder do Conselho Constitucional, Paul Yao N'Dre, que em dezembro havia tomado o lado de Gbagbo na disputa eleitoral.

O novo presidente prometeu reconciliação e unidade, num país onde divisões étnicas, religiosas e econômicas têm sido motivo para violência na última década.

O correspondente da BBC John James, em Abidjan, maior cidade do país, relata que as forças de paz da ONU e tropas francesas fizeram a segurança da cidade durante a cerimônia de posse.

Massacres

Enquanto isso, uma equipe da ONU está investigando denúncias de massacres ocorridos no distrito de Yopougon, localizado em Abidjan.

O distrito foi palco dos confrontos mais recentes entre simpatizantes de Gbagbo e Ouattara.

Nesta semana, as forças do governo disseram ter ocupado o local e encontrado dezenas de corpos espalhados pelas ruas.

Um porta-voz do Alto Comissariado da ONU para direitos humanos disse ter recebido relatos de abusos cometidos pelos dois lados no local.

No total, acredita-se que mais de mil pessoas tenham morrido nos confrontos pós-eleitorais no país.

A Costa do Marfim agora tenta retomar a rotina e reativar a economia. Nesta sexta, a União Europeia assinou um acordo de 44 milhões de euros (R$ 103 milhões) em ajuda para o país.

O comissário europeu para o Desenvolvimento, Andris Piebalgs, que assinou o acordo, disse à BBC que a situação ainda é tensa na Costa do Marfim e que, se a vida das pessoas não melhorar rapidamente, os confrontos podem voltar a eclodir.

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