Grã-Bretanha diz ‘não’ a mudança de sistema eleitoral

Contagem de votos em plebiscito britânico (Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption Até sexta-feira, 69% dos votantes tinham rejeitado mudança em eleições

Resultados preliminares indicam que a maioria dos cidadãos da Grã-Bretanha rejeitou mudar o sistema como seus parlamentares são eleitos, em decisão que configura uma derrota para o Partido Liberal Democrata, atual integrante da coalizão de governo.

A mudança do sistema eleitoral foi proposta em um plebiscito realizado nesta quinta-feira. Dos 19 milhões de britânicos que votaram (comparecimento de 41%), até a noite de sexta, 69% tinham dito “não” à mudança no sistema de votação.

Atualmente, a Grã-Bretanha conta com um sistema de maioria simples determinado por meio de uma única votação, conhecido como ''First Past the Post'', que, numa tradução livre seria algo como ''o primeiro a passar a meta''.

Na disputa para cada um dos 650 distritos do país, vence o candidato que conquistar a maioria simples dos votos.

O sistema que foi apresentado no plebiscito como ''Alternative Vote'' (voto alternativo, AV, na sigla em inglês) visava pôr fim a impasses políticos no país e conferir uma representação política supostamente mais justa.

Pelo sistema, o eleitor pode escolher um ou mais candidatos, indicando a sua ordem de preferência.

Os liberais-democratas, que haviam colocado a realização do plebiscito como precondição para sua participação na coalizão de governo, são um dos partidos menores que provavelmente se beneficiaram da mudança de sistema.

O vice-premiê Nick Clegg, líder dos liberais-democratas e defensor da mudança no sistema eleitoral, disse que ainda é “um defensor apaixonado da reforma política”, mas admitiu que “a resposta (das urnas) é clara, temos que aceitá-la”.

Eleições locais

Simultaneamente ao plebiscito, os britânicos também votaram para eleger representantes locais.

O pleito também resultou na derrota dos liberais-democratas.

A agremiação possivelmente perderá quase 700 cadeiras em conselhos locais. A maior parte dos postos foi perdida para o Partido Trabalhista, o principal de oposição e o que estava no poder até o ano passado, quando cedeu lugar à atual coalizão – formada pelos liberais-democratas com o Partido Conservador, do premiê David Cameron.

Os conservadores se saíram bem nas urnas no pleito de quinta-feira e devem ganhar cerca de 80 assentos em conselhos locais - dando a impressão de que foram poupados da ira popular por conta do aperto orçamentário atualmente em curso na Grã-Bretanha.

Os trabalhistas parecem ser os principais vitoriosos do pleito: teriam conquistado até 800 postos.

Na votação para o Parlamento da Escócia, o partido nacionalista SNP obteve uma vitória inédita e contundente nas urnas e, como resultado, prometeu promover um referendo sobre uma eventual independência em relação à Grã-Bretanha.

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