América Latina

Marcha pela paz reúne 20 mil na Cidade do México

AP

A marcha terminou na praça principal da Cidade do México

Mais de vinte mil pessoas se juntaram neste domingo ao final de uma marcha de quatro dias até a Cidade do México para protestar contra a violência causada pelo narcotráfico e a resposta governamental.

O final da marcha ocorreu na praça principal da cidade.

Correspondentes dizem que muitos dos manifestantes acreditam que a decisão do governo de usar os militares contra os cartéis gerou mais violência.

Manifestantes dizem que pretendem iniciar uma campanha de desobediência civil se suas exigências, que incluem o fim do que chamam de estratégia de guerra do governo, não forem aceitas.

Poeta

A marcha começou na quinta-feira na cidade de Cuernavaca, no Estado de Morelos, atravessou dezenas de cidades e vilarejos do país até chegar à capital.

O evento de cerca de 80 quilômetros, que teve a participação de diversas organizações de defesa dos direitos humanos, foi convocada pelo poeta Javier Sicilia, cujo filho foi assassinado há um mês durante um tiroteio ligado ao crime organizado.

O protesto foi convocado pelo poeta Javier Sicilia, cujo filho foi assassinado

Levando cartazes pedindo o fim da guerra mexicana, os manifestantes denunciaram casos de violência que envolvem sequestros, massacres, desaparecimentos, homicídios e, na maioria dos casos, impunidade, de acordo com o jornal mexicano La Jornada.

“Também somos culpados, por omissão, porque não fiscalizamos as autoridades que não cumpriram sua obrigação de garantir a segurança”, disse Sicilia.

Presidente

Pouco antes do início da marcha, Sicilia disse ao jornal El Universal que o presidente mexicano, Felipe Calderón, não havia entendido sua mensagem.

“Não estamos contra o governo. Apenas pedimos à classe política e ao presidente que nos ouçam e que entendam que estamos buscando o bem da nação e uma paz com justiça e dignidade”, afirmou o poeta.

Na véspera da marcha, o presidente fez apelo convocando a população para que apóie seu luta contra o crime organizado.

“A compreensão e o apoio de toda a sociedade são essenciais, porque algumas pessoas, agindo de boa ou de má fé, estão tentando impedir a ação do governo”, disse o presidente em discurso transmitido em rede nacional na quarta-feira.

Ele rebateu críticas ao seu programa de combate à violência, que teve início em dezembro de 2006 e usa o Exército contra os cartéis. Desde então, cerca de 35 mil mexicanos morreram em crimes ligados ao tráfico.

“Precisamos redobrar os esforços porque, caso contrário, eles vão roubar, sequestrar e matar por todo o país.”

Além dos 35 mil mortos, a guerra contra e entre os cartéis já obrigou cerca de 230 mil mexicanos a deixar suas casas nos últimos anos, de acordo com uma estimativa da organização IDMC, que monitora deslocamentos internos ao redor do mundo.

Metade dessas pessoas se exilou nos Estados Unidos e o restante, em outras partes do México. Segundo o levantamento, os estados mais afetados são Chihuahua e Tamaulipas, no norte do país, além de Michoacán e Sinaloa, no oeste, onde há forte presença dos cartéis.

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