União Europeia impõe embargo de armas à Síria

Foto da agência oficial SANA mostra armas supostamente encontradas com rebeldes sírios (AP) Direito de imagem AP
Image caption Governo sírio diz estar combatendo 'terroristas armados'

A União Europeia anunciou nesta segunda-feira que vai impor um embargo na venda de armas à Síria, em resposta à forte repressão governamental aos protestos no país.

Treze autoridades sírias também serão impedidas de viajar ao bloco europeu e terão seus bens no continente congelados.

Segundo comunicado da UE, fica vetado o envio de “armas e de equipamentos que possam ser usados na repressão interna” às manifestações populares na Síria.

Recentemente, os EUA também haviam imposto novas sanções contra o governo sírio, e o Conselho de Direitos Humanos da ONU pediu uma investigação sobre os abusos no país.

Grupos de direitos humanos estimam que entre 500 e 800 pessoas tenham morrido e milhares tenham ficado feridas nas recentes semanas de protesto na Síria.

Nesta segunda-feira, o Exército da Síria cercou Muadhamiya, um subúrbio da capital do país, Damasco. Segundo testemunhas, foram ouvidos tiroteios na região e cortinas de fumaça preta podiam ser vistas sobre a área.

Deraa

As forças de segurança sírias também continuaram com seus esforços para reprimir os protestos na terceira maior cidade do país, Homs, na cidade costeira de Baniyas e no entorno de Deraa, no sul do país.

Ainda nesta segunda, a ONU se disse preocupada com a situação em Deraa depois que uma missão humanitária do organismo foi impedida de entrar na cidade para fornecer equipamentos médicos.

Deraa está há duas semanas tomada por tanques e tropas do governo, e há relatos de que dezenas de manifestantes tenham morrido na cidade.

A ONU havia anunciado na semana passada que o presidente sírio, Bashar al-Assad, concordara com o envio de uma missão humanitária a Deraa, mas que, sem especificar a razão, o governo adiou a entrada dos agentes humanitários no local.

Violência

No domingo, houve relatos de tiroteios, prisões e mortes em Homs, incluindo a de um menino de 12 anos.

A Síria não vem permitindo a entrada de jornalistas estrangeiros no país, o que torna mais difícil a verificação independente das informações.

Correspondentes da BBC na região relatam que as autoridades têm usado a tática de isolar e intimidar cidadãos em áreas onde é grande a oposição ao governo.

Já autoridades estatais contestam as cifras de mortos e dizem estar agindo para conter “terroristas armados”.

Segundo o governo sírio, seis soldados e policiais foram mortos e outros ficaram feridos durante as operações em Homs, Baniyas e Deraa.

Os protestos contra o governo, inspirados pela onda de protestos pró-democracia no Oriente Médio, representam o mais sério desafio a Assad desde que ele assumiu o poder, em 2000, após a morte do pai, Hafez al-Assad.

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