Técnico da França é inocentado de acusação de discriminação

Laurent Blanc Direito de imagem AFP
Image caption Laurent Blanc assumiu a seleção francesa após a Copa de 2010

O técnico da seleção francesa de futebol, Laurent Blanc, foi inocentado da acusação de discriminação racial em uma investigação conduzida pelo ministério do Esporte do país.

A ministra dos Esportes, Chantal Jouanno, disse que não há indícios de que Blanc infringiu qualquer lei francesa ao sugerir que a França imponha uma cota no número de jogadores negros e árabes que praticam o esporte em alguns centros de treinamento.

A Federação Francesa de Futebol (FFF) decidirá ainda nesta terça-feira o destino de outro envolvido no caso, o diretor técnico da seleção François Blaquart, que foi temporariamente suspenso.

'Nossa cultura'

Uma reportagem do site Mediapart afirmou que em novembro do ano passado Blanquart propôs secretamente um limite de 30% na proporção de jogadores negros e de origem árabe que poderiam usar alguns centros de treinamento, inclusive a renomada academia de futebol Clairefontaine.

Blanc teria concordado com a proposta, afirmando que seria uma forma de promover "a nossa cultura, a nossa história". O técnico francês defendeu-se das acusações dizendo que suas declarações foram retiradas do contexto original.

Blanc e Blanquart estavam discutindo junto com o técnico da França sub-21, Erick Mombaerts, e da seleção sub-20, Francis Smerecki, formas de evitar que jogadores que treinam por anos dentro do sistema francês de futebol saiam para defender outras seleções no futuro.

"Não há nada que indique que Laurent Blanc estava apoiando práticas discriminatórias", disse a ministra francesa dos Esportes a jornalistas nesta terça-feira.

"Laurent Blanc estava participando deste tipo de reunião pela primeira vez. Ele não tinha nenhum projeto ou opinião fixa. Não há nada que sugira que Laurent Blanc apóie orientações discriminatórias."

Ela disse que a discussão ocorrida em novembro foi "desastrada e desnecessária".

A ideia de cotas foi apenas sugerida, e nunca correu o risco de ser implementada. Por isso, segundo a ministra, não há motivos para se dar início a um processo legal.

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