Estados Unidos

Obama volta a fazer apelo por ampla reforma nas leis de imigração

Obama visita posto de fronteira entre EUA e México, em El Paso (AFP)

Presidente quer regularizar situação de ilegais e coibir trabalho irregular

Quase um ano depois de seu primeiro grande discurso sobre o tema, o presidente americano, Barack Obama, voltou a fazer nesta terça-feira um apelo por uma reforma ampla do sistema de imigração dos Estados Unidos.

“Há um consenso sobre (a necessidade de) consertar o que está quebrado”, disse o presidente, referindo-se às leis de imigração, em um discurso na cidade de El Paso, no Texas, fronteira com o México.

Obama falou da necessidade de abrir caminho para que ilegais possam regularizar sua situação, coibir aqueles que contratam trabalhadores em situação irregular e encorajar imigrantes qualificados a permanecer no país.

“Agora nós precisamos nos unir em torno de uma reforma que reflita nossos valores como uma nação de leis e uma nação de imigrantes. Isso exige que todos assumam responsabilidades.”

O presidente também deu um recado à oposição republicana, ao afirmar que, apesar dos avanços obtidos na segurança na fronteira e no cumprimento das leis em vigor, alguns ainda não estão satisfeitos.

“Eles nunca estarão satisfeitos. E eu entendo isso. Isso é política”, disse o presidente.

Medidas

O pronunciamento desta terça-feira repetiu pontos já abordados por Obama no grande discurso sobre o tema feito em Washington em julho do ano passado e também em ocasiões posteriores.

O presidente voltou a afirmar que o sistema de imigração americano está “quebrado” e a pedir que democratas e republicanos trabalhem juntos pela aprovação da reforma.

No entanto, desta vez o presidente listou uma série de medidas adotadas por seu governo que, segundo ele, melhoraram a segurança na fronteira e, portanto, abririam caminho para a aprovação da reforma.

“Em anos recentes, entre os grandes impedimentos à reforma estavam questões sobre a segurança na fronteira”, disse.

De acordo com Obama, nos últimos anos seu governo colocou mais agentes e analistas de inteligência na região e trabalhou em conjunto com o governo mexicano contra organizações criminosas que atuam nos dois países.

“A patrulha da fronteira tem 20 mil agentes, mais de duas vezes do que havia em 2004, um aumento que começou durante o governo do presidente (George W.) Bush e que nós continuamos”, afirmou.

O presidente disse ainda que, durante seu governo, a apreensão de drogas na fronteira cresceu 31%, a de armas aumentou 64%, o número de crimes violentos foi reduzido em quase um terço e o número de deportações aumentou.

De acordo com Obama, mesmo com o aumento das patrulhas na fronteira o número de pessoas detidas caiu quase 40% em relação a dois anos atrás, “o que significa que menos pessoas estão tentando cruzar a fronteira ilegalmente”.

Congresso

“Então, a questão é se aqueles no Congresso que anteriormente se afastaram em nome do cumprimento das leis estão agora prontos para voltar à mesa e terminar o trabalho que começamos”, disse.

“Eu sei que alguns aqui gostariam que eu simplesmente passasse por cima do Congresso e mudasse a lei eu mesmo. Mas não é assim que a democracia funciona.”

Segundo Obama, a reforma é um “imperativo econômico”, ao acabar com a economia informal que “explora uma fonte barata de trabalho enquanto reduz salários para todo o resto (da população)”.

O presidente disse que a mudança nas leis também aumentaria a competitividade dos Estados Unidos na economia global, ao permitir que estudantes treinados em universidades americanas continuem no país para aplicar o que aprenderam, e melhoraria a segurança na fronteira.

“O passo mais importante que podemos dar agora para garantir a segurança das fronteiras é consertar o sistema como um todo, para que menos pessoas tenham incentivo para entrar ilegalmente em busca de trabalho em primeiro lugar”, disse.

De acordo com o presidente, isso permitiria que os agentes se concentrassem em ameaças mais graves, como traficantes de drogas ou pessoas que cruzam a fronteira “para cometer atos de violência ou terror”.

Eleição e leis polêmicas

O discurso de Obama foi feito no momento em que o presidente começa sua campanha para um novo mandato.

Em 2008, Obama foi eleito com grande apoio da população hispânica e com a promessa de reformar as leis de imigração já no primeiro ano de seu mandato.

No entanto, a promessa ainda não se concretizou, e cerca de 11 milhões de imigrantes permanecem em situação ilegal nos Estados Unidos.

“Não importa como tenham chegado, a maioria esmagadora dessas pessoas está apenas tentando ganhar a vida e sustentar suas famílias”, disse o presidente.

Em meio às dificuldades de aprovação de uma reforma no Congresso, muitos Estados americanos começaram a votar leis próprias para tratar do problema da imigração ilegal.

A mais polêmica foi a lei aprovada no ano passado pelo Arizona, que torna crime estadual a presença de imigrantes ilegais, e acabou tendo seus pontos mais controversos suspensos pela Justiça.

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