Síria deverá desistir de vaga no Conselho de Direitos Humanos da ONU

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Image caption País está sob pressão por conta de repressão estatal a manifestantes

A Síria não levará adiante o plano de concorrer a um assento no Conselho de Direitos Humanos da ONU e deverá ser substituída pelo Kuwait, informam diplomatas das Nações Unidas.

Damasco está sob pressão internacional por conta da forte repressão estatal promovida desde março contra manifestantes que se opõem ao governo.

Por enquanto, ainda não há confirmação oficial da desistência da Síria, e o embaixador do país na ONU, Bashar Jaafari, disse à BBC que a posição oficial – de buscar um assento no conselho – não mudou.

“Ainda estou esperando por instruções”, ele declarou.

Alguns diplomatas ocidentais dizem que o Kuwait já deu indicativos discretos de que vai substituir a Síria como candidato ao assento no organismo.

Uma campanha para evitar a entrada de Damasco no Conselho de Direitos Humanos ganhou força desde o início dos atos repressivos às manifestações pró-democracia que têm ocorrido na Síria nas últimas semanas.

Aparentemente, a pressão pela desistência síria tem ocorrido não só por parte do Ocidente, mas também de países árabes e asiáticos.

Lobby

O Conselho de Direitos Humanos é o principal organismo da ONU encarregado de monitorar violações contra cidadãos, mas críticos dizem que alguns de seus membros usam sua presença no órgão para bloquear críticas a eles próprios ou a seus aliados.

Os candidatos ao conselho não são eleitos segundo seu histórico em direitos humanos, mas sim a partir de grupos regionais nos quais há constante trocas de favores.

A Síria também se apresentou no Conselho de Segurança da ONU nesta terça-feira. Autoridades das Nações Unidas e alguns membros do órgão expressaram preocupação pela recusa de Damasco em garantir o acesso de equipes humanitárias a cidades onde há relatos de centenas de mortos e feridos durante confrontos entre manifestantes e forças de segurança estatais.

Até o momento, países como Rússia e China – que têm poder de veto no Conselho de Segurança – se opõem a qualquer tipo de ação por parte do órgão da ONU, mas algumas nações ocidentais fazem lobby por uma resolução condenando a repressão aos protestos.

Na última segunda-feira, a União Europeia aprovou um embargo de armas ao país árabe e restringiu 13 autoridades sírias de viajar ao bloco europeu ou movimentar seus bens no continente.

Centenas de civis morreram nos confrontos com forças de segurança, segundo grupos de direitos humanos.

Leia também na BBC Brasil: Grupo de direitos humanos diz ter provas de 750 mortes na Síria

Os manifestantes pedem reformas políticas no governo do presidente Bashar al-Assad, que, por sua vez, chama os insurgentes de “terroristas armados”.

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