Testemunhas dizem que tanques sírios estão a caminho de Hama

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Image caption Imagens colocadas na internet mostram tanques se dirigindo a Hama

Testemunhas na Síria afirmam que vários tanques estão se encaminhando nesta terça-feira para a cidade de Hama, na região central do país, palco de protestos contra o governo nas últimas semanas.

Ativistas afirmam que algumas pessoas foram presas nas cidades de Homs, também na região central, e de Baniyas, no litoral.

A ONU disse nesta terça-feira que não está conseguindo enviar ajuda humanitária à cidade de Deraa, que também é palco de conflitos entre manifestantes e forças do governo. Dezenas de pessoas teriam sido mortas na cidade, que está isolada há duas semanas.

Leia também: ONU diz que Síria não permitiu entrada de missão humanitária

No centro da capital, Damasco, cerca de cem jovens cantaram músicas de protesto à noite na praça Arnous, em uma manifestação pedindo que o Exército sírio pare de disparar contra o povo e encerre o isolamento de Deraa.

Um vídeo amador colocado na internet mostra homens das forças de segurança síria à paisana se infiltrando no protesto e prendendo vários manifestantes.

Outro vídeo publicado na internet mostra vários tanques se encaminhando para Hama. Em 1982, a cidade de Hama foi virtualmente aniquilada, após uma insurreição de integrantes da Irmandade Muçulmana.

Nos últimos dias, Hama tem sido palco de novos protestos. Alguns sírios temem que a cidade se tornará um novo foco de tensão, a exemplo do que aconteceu em Homs, Baniyas e Deraa.

Embargo

No domingo, houve relatos de tiroteios, prisões e mortes em Homs, incluindo a de um menino de 12 anos.

A Síria não vem permitindo a entrada de jornalistas estrangeiros no país, o que torna mais difícil a verificação independente das informações.

Correspondentes da BBC na região relatam que as autoridades têm usado a tática de isolar e intimidar cidadãos em áreas onde é grande a oposição ao governo.

Os protestos contra o governo, inspirados pela onda de protestos pró-democracia no Oriente Médio, representam o mais sério desafio a Assad desde que ele assumiu o poder, em 2000, após a morte do pai, Hafez al-Assad.

Na segunda-feira, a União Europeia anunciou que vai impor um embargo à venda de armas à Síria, em resposta à forte repressão governamental aos protestos no país.

Treze autoridades sírias também serão impedidas de viajar ao bloco europeu e terão seus bens no continente congelados.

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