Caixas-pretas do voo AF 447 chegam a Paris e começam a ser avaliadas

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Image caption Caixas-pretas chegaram em recipientes selados, contendo água doce

As caixas-pretas do voo AF 447 da Air France, que caiu no Atlântico em 31 de maio de 2009, chegaram na manhã desta quinta-feira à França, onde investigadores começaram a avaliar o estado de preservação do equipamento.

Com isso, a expectativa é de que as autoridades francesas saberão até o fim desta semana se os dados sobre o voo poderão ser recuperados e analisados.

A informação foi dada por Jean-Paul Troadec, diretor do Escritório de Investigações e Análises (BEA, na sigla em francês), órgão que apura as causas do acidente que matou 228 pessoas.

As duas caixas-pretas, que ficaram quase dois anos submersas no Atlântico a 3,9 mil metros de profundidade, chegaram à capital francesa por avião, vindas da Guiana Francesa.

Elas foram apresentadas à imprensa ainda nos recipientes plásticos transparentes contendo água desmineralizada e que foram selados, com um carimbo de cera, por se tratarem de provas em uma investigação judicial.

Procedimento

Consideradas pelos investigadores como fundamentais para se desvendar as causas da catástrofe, as caixas-pretas serão avaliadas na sede do BEA, na presença de um oficial da polícia judiciária.

Segundo Christophe Menez, chefe do departamento técnico do BEA, o processo todo, entre a abertura das caixas-pretas e cópia das informações levará três dias.

Após a abertura do equipamento, o próximo passo será limpar (retirando vestígios de sal) e secar os cartões de memória internos. Depois, serão feitos testes visuais e eletrônicos para saber se eles funcionam.

Após isso, os investigadores tentarão extrair os dados gravados nos cartões de memória. Uma das caixas-pretas contém os parâmetros técnicos do voo, como altitude e velocidade, e a segunda grava as conversas dos pilotos ou qualquer outro som emitido na cabine.

Se os cartões de memória internos não tiver sofrido corrosão, os investigadores poderão em seguida baixar os dados nos computadores do BEA.

Nesse caso, os cartões serão ligados a um aparelho decodificador, que lê os dados. O procedimento seria semelhante ao utilizado em um leitor de DVD.

"Na segunda-feira saberemos certamente qual é o estado de conservação dos dados das caixas-pretas e teremos novos elementos", afirma Troadec.

Só então após copiar os dados, os investigadores começarão o trabalho de análise das informações que deverão explicar as circunstâncias exatas do acidente com o avião da Air France que fazia a rota Rio-Paris.

Mas se os cartões de memória tiverem sofrido desgastes, os investigadores poderão levar semanas para conseguir extrair as informações.

Isso porque será necessário reconstituir o conjunto de dados por meio de técnicas sofisticadas, afirma Troadec. O diretor do BEA diz que essas operações, se necessárias, devem ser realizadas na França e não nos Estados Unidos, país do fabricante das caixas-pretas, a Honeywell.

Processo filmado

Com o início da análise, os investigadores deverão ter rapidamente um panorama geral dos motivos da queda do avião. Mas Troadec avisa que não serão reveladas "informações parciais" e "em hipótese nenhuma" o conteúdo da caixa-preta que grava as conversas dos pilotos.

Um estudo mais detalhado dos dados das caixas-pretas e também de outras peças do avião resgatadas recentemente levará meses. O BEA prevê divulgar um novo relatório, o último, sobre o acidente com o voo AF 447 no início de 2012.

Todo o processo de abertura e transcrição das caixas-pretas será filmado. As análises serão acompanhadas por dois técnicos brasileiros, como o coronel Luís Carlos Lupoli, da Aeronáutica, além de especialistas americanos e britânicos.

Os investigadores franceses resgataram nos últimos dias outras peças do Airbus da Air France, como parte da cabine de pilotagem, o joystick dos pilotos e seus assentos e também os calculadores do motor, que gravam inúmeros parâmetros "preciosos", segundo o BEA.

A operação de buscas será suspensa nesta sexta-feira. O navio Ile de Sein retorna a Dacar, no Senegal, para realizar a troca da tripulação.

O resgate de peças e eventualmente de corpos, se os testes para tentar extrair o DNA das duas vítimas já retiradas do mar forem positivos, deverá ser retomado por volta do dia 21 de maio.

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