Bin Laden escolheu esposa de 18 anos por ser 'religiosa' e ter 'boa moral', diz intermediário

Foto do passaporte de Amal Ahmed Al-Sadah (TVE/Reprodução) Direito de imagem TVE
Image caption Al-Sadah era 'devota' e 'religiosa', disse xeque

O homem que armou o casamento de Bin Laden e de sua quinta esposa, que tinha 18 anos à época, disse que o chefe da Al-Qaeda fez a sua escolha levando em conta a devoção religiosa da mulher e a qualidade moral da sua família.

Segundo o jornal <i>Yemen Times</i>, a esposa, Amal Ahmed Al-Sadah, era de origem iemenita e tinha 18 anos quando se casou com Bin Laden, que tinha 43.

O homem que supostamente intermediou o casamento – o xeque Rashad Mohamed Saeed Ismail, um membro da Al-Qaeda no Iêmen – disse ao jornal, por telefone, como foi a escolha da noiva.

"Eu disse, e como seria a cara dela?", afirmou o xeque, segundo o jornal. "E ele respondeu: uma mulher religiosa, com valores morais, e de uma família decente."

Segundo o xeque, casar-se com uma iemenita era, na visão de Bin Laden, uma forma de forjar uma aliança com suas raízes.

A conversa entre o líder da Al-Qaeda e Ismail teria se dado no Afeganistão em 1999. Na entrevista que deu ao <i>Yemen Times</i>, o xeque disse que foi naquele país que eles se casaram, no ano 2000.

"Eu a conhecia. Ela era uma garota calma e não falava muito. Ela era muito religiosa e espiritual", disse Ismail, que vive na cidade de Ibb, no Iêmen, onde a família da noiva continua vivendo.

No ano seguinte, após os atentados de setembro de 2001 nos Estados Unidos, Bin Laden e Al-Sadah tiveram uma filha.

<b>Viúva</b>

A esposa estava na residência de Abbottabad, no Paquistão, onde Bin Laden foi localizado e morto por forças especiais dos Estados Unidos. Ela era a mais jovem das cinco mulheres do líder da Al-Qaeda.

Image caption Esposa vivia com Bin Laden e oito de seus filhos em Abbottabad

Segundo a descrição do porta-voz da Casa Branca, a esposa teria se interposto entre o marido e as tropas americanas, e levado um tiro na perna. Mas não morreu.

Em entrevista ao <i>Yemen Times</i>, o vice-embaixador do Paquistão no Iêmen disse que a viúva será enviada de volta para o Iêmen.

De acordo com o diplomata, os parentes de Bin Laden serão enviados para os seus países de origem tão logo sejam liberados dos interrogatórios conduzidos pelas forças de segurança paquistanesas.

Segundo informações da rede de TV CNN, Al-Sadah teria dito aos investigadores que vivia por cinco anos com Bin Laden na residência de Abbottabad. No mesmo local, viviam oito filhos de Bin Laden e cinco de outra família.

Um porta-voz das forças de segurança do Paquistão disse ao canal que a mulher quase não saía de casa.

Em entrevista à CNN, um parente da jovem esposa, Ahmed, disse que o governo iemenita tem pressionado a família a evitar falar com a imprensa sobre o líder da Al-Qaeda.

Ahmed, que disse conhecer Al-Sadah desde pequena, afirmou que a família é conservadora, mas nunca havia demonstrado visões extremistas como a de Bin Laden.

De suas cinco esposas, acredita-se que o líder da Al-Qaeda tivesse no total pelo menos 20 filhos.

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