Ex-guarda nazista é condenado a cinco anos pela morte de 28 mil judeus

O ex-guarda nazista John Demjanjuk. Direito de imagem AFP
Image caption O ucraniano trabalhou em campo de concentração polonês

Um tribunal alemão em Munique condenou nesta quinta-feira o ucraniano John Demjanjuk a cinco anos de prisão por participar do assassinato de mais de 28 mil judeus em um campo de concentração nazista durante a Segunda Guerra Mundial.

Demjanjuk, de 91 anos, trabalhou como guarda no campo de concentração de Sobibor, na atual Polônia, em 1943.

A sentença de cinco anos é um ano mais curta do que a que vinha sendo pedida pela promotoria.

No entanto, segundo o jornal alemão Südddeutsche, o juiz decidiu que ele poderá deixar a prisão por pelo menos um ano, enquanto seus advogados recorrem da sentença, por causa da idade avançada.

O julgamento, que durou quatro dias, foi adiado diversas vezes devido às condições de saúde do réu.

Demjanjuk negou que tivesse servido como guarda, dizendo que, enquanto prisioneiro soviético da guerra dos nazistas, ele também foi uma vítima.

Cerca de 250 mil pessoas morreram na câmara de gás no campo de Sobibor.

Participação

Nascido na Ucrânia em 1920, John Demjanjuk cresceu durante o domínio soviético no país. Ele servia o Exército vermelho em 1942, quando foi capturado pelos alemães.

No julgamento, os promotores disseram que ele foi recrutado pelos alemães para ser um guarda em um dos campos da SS, a tropa de elite do Partido Nazista. Por seu trabalho no campo, ele teria participado dos assassinatos.

Foi a primeira vez que este argumento legal foi utilizado em uma corte alemã.

"A corte está convencida de que o acusado serviu como guarda em Sobibor de 27 de março de 1943 a meados de setembro de 1943", disse o juiz Ralph Alt, que presidia a sessão.

"Como guarda, ele participou do assassinato de pelo menos 28 mil pessoas. Ele fazia parte da máquina de destruição."

O advogado de defesa de Demjanjuk, Ulrich Busch, disse que seu cliente tinha que obedecer as ordens que recebia durante seu tempo no campo de concentração.

"Há um comando, você precisa obedecer e arrisca a sua vida se não obedecer. Então eles (os guardas) estão em uma posição completamente diferente dos principais perpetradores destes crimes", disse Busch.

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Image caption Cerca de 250 mil pessoas morreram no campo de Sobibor, na Polônia

Prisão

Não está claro se o ex-guarda conseguirá créditos pelo tempo já cumprido na prisão. Segundo sua família, ele está gravemente doente.

Demjanjuk está sob custódia desde que foi extraditado dos Estados Unidos para a Alemanha, em 2009.

Depois da guerra, ele se tornou cidadão americano e trabalhou em uma fábrica de carros em Ohio.

Ao voltar para a Alemanha, ele perdeu sua cidadania americana por causa de irregularidades no processo de imigração.

O ex-oficial ucraniano também cumpriu oito anos na prisão em Israel, onde havia sido condenado à morte.

Nos anos 80, um tribunal israelense o identificou como "Ivan, o terrível" - um guarda, famoso por seu sadismo, que trabalhou no campo de concentração de Treblinka, também na Polônia.

No entanto, sua condenação foi anulada em 1993, depois que novas evidências comprovaram que outro ucraniano era responsável pelos atos em Treblinka.

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