Novos ataques a instalações de Khadafi matam 3, diz governo líbio

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Image caption Novas imagens mostram Khadafi reunido em hotel com líderes tribais

Bombardeios das forças da Otan voltaram a atingir nesta quinta-feira o complexo ocupado pelo líder líbio, coronel Muamar Khadafi, na capital, Trípoli, matando três pessoas, segundo informações das autoridades da Líbia.

O ataque foi realizado nas primeiras horas da manhã. A informação sobre mortos não pôde ser verificada independentemente.

Horas antes do ataque, a rede de TV estatal divulgou imagens que seriam de Khadafi na capital, na primeira aparição do líder líbio na mídia desde que ataques ocidentais mataram seu filho, duas semanas atrás.

A Otan intensificou suas operações contra Khadafi nesta semana, com repetidos ataques a Trípoli. Os combates entre insurgentes e as forças leais ao coronel já duram três meses.

Nas imagens divulgadas pela TV, Khadafi aparece encontrando líderes tribais no mesmo hotel onde estão hospedados os jornalistas estrangeiros.

O vídeo mostra Khadafi em silêncio, cumprimentando uma fila de homens que seriam líderes tribais. Em um determinado momento, a lente da câmera faz um movimento de zoom em direção a um monitor de TV, mostrando a data do dia anterior (quarta-feira).

O correspondente da BBC em Trípoli Christian Fraser diz que o hotel pode ter sido escolhido por ser um dos locais mais seguros da capital líbia no momento, já que as instalações usadas normalmente por Khadafi estão sob constante ataque aéreo.

Locais de ataques

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Image caption Rebeldes treinam na cidade de Kabaw, 230 km a sudoeste de Trípoli

Segundo Fraser, os jornalistas foram levados nesta quinta aos locais onde teriam ocorrido três bombardeios da Otan, dois dos quais deixando enormes buracos em uma estrada.

Enquanto um dos buracos estava repleto de água suja, de acordo com o correspondente da BBC, outro parecia ter uma rede de barras de ferro ao fundo, revelando o que parecia ser o teto de um bunker.

Tropas rebeldes dizem estar consolidando seu controle sobre a cidade de Misrata, no leste, uma das mais disputadas no conflito. As tropas pró-Khadafi foram afastadas para os arredores da cidade, depois de cercarem o local por várias semanas.

Segundo Christian Fraser, os insurgentes agora dominam o aeroporto da cidade e já discutem avançar para o oeste, na direção de Trípoli. o repórter da BBC diz, no entanto, que o conflito chegou a um impasse em outros locais do país.

Ofensiva diplomática

O Conselho de Transição Nacional líbio, formado pelos líderes da rebelião contra Khadafi, lançou uma ofensiva diplomática com o objetivo de atrair maior atenção da comunidade internacional.

Nesta quinta-feira, o presidente do Conselho, Abdul Jalil, realizou uma visita oficial a Londres, onde se encontrou com o primeiro-ministro David Cameron e outros políticos.

Já nesta sexta-feira, outro representante dos rebeldes, Mahmud Jibril - uma espécie de chanceler do movimento - estará em Washington, para uma reunião com o assessor de Segurança Nacional americano, Tom Donilon.

O correspondente de assuntos diplomáticos e de defesa da BBC Jonathan Marcus afirma que o objetivo dos insurgentes é isolar ainda mais o regime de Khadafi, que já foi alvo de diversas sanções internacionais.

Segundo Marcus, as viagens também buscam obter dinheiro para os insurgentes, que lutam para manter suas posições contra as forças do governo - embora a situação esteja um pouco melhor em Misrata.

Ao contrário de França, Itália e Catar, Grã-Bretanha e Estados Unidos não reconhecem o Conselho de Transição Nacional como o governo legítimo da Líbia.

Parceiro

Em Londres, David Cameron descreveu o Conselho como o "parceiro primordial" de seu governo na Líbia. O primeiro-ministro britânico convidou o grupo para criar uma representação formal em Londres.

Cameron também anunciou a transferência de uma grande quantidade de equipamentos de polícia para as autoridades de Benghazi, principal cidade líbia sob controle dos insurgentes, além de uma ajuda no sistema público de comunicação.

No entanto, o governo britânico se recusou a fornecer armas leves, algo que a oposição líbia diz precisar com urgência.

Nas conversas em Washington, a liberação de recursos líbios congelados no exterior deve entrar em pauta, segundo o correspondente da BBC - o que seria uma forma de ajudar a financiar a luta dos insurgentes contra Khadafi.

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