Retorno de opositor no dia da posse do presidente gera tensão em Uganda

Reuters Direito de imagem Reuters
Image caption Besigye retornou a Uganda após passar período no Quênia

O presidente de Uganda, Yoweri Museveni, que está no poder há 25 anos, foi reempossado para mais um mandato nesta quinta-feira - mesmo dia em que seu principal opositor retornou ao país, gerando temores de confrontos e tensão na capital, Kampala.

Kizza Besigye, um ex-aliado de Museveni, retornou a Uganda após passar um período no Quênia, depois de perder as eleições presidenciais realizadas em fevereiro.

O correspondente da BBC para o leste da África, Will Ross, afirma que Besigye foi recebido por uma multidão na cidade de Entebbe. O político seguiu em carro aberto ao lado de sua mulher, Winnie Byanyima, rumo à capital de Uganda, Kampala.

Embora as eleições tenham ocorrido em clima considerado pacífico, o opositor alega ter ido ao Quênia se recuperar de ferimentos causados pelas forças de segurança depois da votação. Além disso, Besigye acusa o presidente de fraude eleitoral.

Enquanto Besigye se dirigia a Kampala, Museveni era empossado em uma cerimônia na capital que contou com a presença de vários chefes de estado africanos.

Segurança

O correspondente da BBC diz que o clima é de segurança rígida na capital, com carros sendo revistados pela polícia. A agência Reuters afirma que forças de segurança jogaram bombas de gás lacrimogêneo em manifestantes que protestavam contra a posse.

Ross afirma que o medo do governo era justamente de que a oposição arquitetasse uma "volta triunfal" do principal opositor do presidente para sabotar a cerimônia de posse.

As eleições presidenciais e parlamentares de fevereiro foram as primeiras realizadas pacificamente após mais de 20 anos de uma brutal guerra civil. Museveni obteve 68% dos votos, enquanto Besigye conseguiu 26%.

Durante a votação, observadores internacionais elogiaram o clima pacífico em Uganda, mas afirmaram que dinheiro e presentes foram distribuídos prlo partido do presidente a eleitores.

Esta foi a terceira vez que Besigye e Museveni se enfrentaram nas urnas. Eles foram aliados na guerrilha que levou Museveni ao poder em 1986.

Notícias relacionadas