Polícia britânica vai revisar investigação sobre caso Madeleine

Madeleine McCann. Direito de imagem PA
Image caption Madeleine desapareceu durante as férias da família, há quatro anos

A Scotland Yard, a polícia metropolitana de Londres, anunciou que irá revisar o caso da menina britânica Madeleine McCann, quatro anos após o seu desaparecimento.

Madeleine desapareceu de um quarto de hotel durante uma viagem com a família a Portugal, em maio de 2007. Ela tinha três anos.

O anúncio foi feito nesta sexta-feira pelo Ministério do Interior, após a intervenção do primeiro-ministro David Cameron.

Cameron escreveu uma carta aos pais da menina, Kate e Gerry McCann, respondendo ao pedido do casal para que o caso fosse reaberto.

Na carta, o premiê disse que o ministério entraria em contato com os pais para estabelecer “novas ações” na investigação.

“Nós comemoramos a resposta do governo. É claramente um passo na direção correta”, disseram os pais, em comunicado.

“A habilidade da Polícia Metropolitana é conhecida e estamos mais confiantes por causa do compromisso do nosso governo na busca por Madeleine.”

A polícia britânica esteve envolvida na investigação portuguesa desde o início, conduzindo testes com amostras enviadas pela polícia portuguesa e enviando oficiais, tradutores, especialistas no sequestro de crianças e cães farejadores para ajudar nas buscas.

'Pior pesadelo'

O porta-voz dos McCann, Clarence Mitchell, disse ainda que a decisão é “exatamente o que Kate e Gerry estavam pedindo. Eles querem, basicamente, que uma instituição independente examine tudo.”

O inquérito oficial português sobre o desaparecimento da menina terminou em julho de 2008. No entanto, detetives particulares procurados pela família McCann continuaram a investigar.

Um porta-voz do Ministério do Interior disse que o governo esperava que a Polícia Metropolitana conseguisse “trazer uma nova perspectiva” para o caso e afirmou que o ministério daria “o suporte financeiro necessário”.

Ele disse ainda que a principal preocupação do governo sempre foi a segurança de Madeleine.

“Apesar de ela ter desaparecido em Portugal e de os portugueses terem maior responsabilidade sobre o caso, as forças policiais daqui continuaram a seguir pistas e a enviar informações para as autoridades portuguesas”, disse.

“O primeiro-ministro e a ministra do Interior concordaram hoje com (o comissário da Polícia Metropolitana) Sir Paul Stephenson, que a polícia trará sua experiência e conhecimento para este caso”.

Os detalhes da operação ainda não foram divulgados.

Em uma carta aberta ao jornal britânico The Sun, na ultima quinta-feira, os pais de Madeleine pediram ao premiê britânico que desse início a uma revisão “independente, transparente e abrangente” de toda a informação relacionada com o desaparecimento da menina.

Em sua resposta, publicada pelo mesmo jornal nesta sexta-feira, David Cameron disse que a situação do casal é “o pior pesadelo de qualquer pai”.

“Eu simplesmente não consigo imaginar a dor que vocês devem ter sentido durante estes quatro anos, e a força e determinação que vocês mostraram é notável”, disse o premiê.

“Eu pedi ao ministro do Interior para examinar o que mais o governo pode fazer para ajudar a encontrar Madeleine. Ela escreverá para vocês hoje, definindo novas ações envolvendo a Polícia Metropolitana, que esperamos que ajudará os esforços na busca.”

`Testemunho verdadeiro´

Direito de imagem Reuters
Image caption Kate McCann escreveu um livro sobre o desaparecimento de Madeleine

A mãe de Madeleine, Kate McCann, lançou um livro sobre a experiência do casal, chamado Madeleine. Os pais dizem esperar que o livro renove o interesse público no caso e aumente a contribuição para o fundo que eles mantêm para pagar os detetives particulares que trabalham no caso.

Kate McCann disse também que escreveu o livro para dar um "testemunho verdadeiro" dos acontecimentos para seus filhos gêmeos, os irmãos mais novos de Madeleine, que agora têm seis anos.

O ex-ministro do Interior, Alan Johnson, já havia autorizado uma análise do caso pelo Centro de Exploração Infantil e Proteção Online (Ceop, na sigla em inglês).

A análise terminou em março de 2010, mas Gerry McCann diz que a atual ministra, Theresa May, se recusou a deixar que ele e sua mulher tivessem acesso aos resultados, porque eles continham “informações sensíveis”.

Em entrevista à BBC, Kate McCann disse que, para ela, o melhor cenário possível seria que Madeleine tivesse sido sequestrada por uma família que não podia ter filhos e que a ame.

Os pais disseram que, segundo a avaliação do Ceop, Madeleine estaria, por causa de sua idade, dentro do perfil de crianças que são roubadas para serem criadas e, não para serem submetidas a violência sexual.

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