Protestos nas fronteiras de Israel deixam ao menos 12 mortos

Soldados israelenses entram em confronto com palestinos em Gaza Direito de imagem Getty
Image caption Palestinos fogem de gás lacrimogêneo lançado por forças israelenses em Ramallah

Ao menos 12 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas neste domingo durante confrontos entre forças de segurança e manifestantes nas fronteiras de Israel com os territórios palestinos, com a Síria e com o Líbano.

Os protestos realizados em várias cidades marcam a Nakba, ou a catástrofe, como os palestinos se referem à independência de Israel, em maio de 1948.

Na época, centenas de milhares de palestinos fugiram ou foram forçados a deixar suas casas durante os conflitos que se seguiram à independência.

Segundo o correspondente da BBC John Donnison, em Ramallah, os protestos deste ano ganharam ímpeto com a onda de manifestações pró-democracia que vêm ocorrendo desde o início do ano no Oriente Médio e no norte da África.

Em um discurso transmitido em TV nacional na noite deste domingo, o primeiro ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que esperava que a calma e a tranquilidade fossem retomadas rapidamente. “Mas que ninguém se engane, estamos determinados a defender nossas fronteiras e nossa soberania.”

Barreiras

Os confrontos deste domingo ocorreram em quatro pontos separados das fronteiras de Israel – a passagem de Erez, na fronteira com a Faixa de Gaza, perto de Ramallah, na Cisjordânia, nas Golinas do Golã, na fronteira com a Síria, e na fronteira com o Líbano, ao norte do país. Também houve protestos na Jordânia.

De acordo com o Exército do Líbano, dez pessoas foram mortas e mais de 120 ficaram feridas.

Dezenas de ônibus levaram manifestantes ao local para o protesto batizado de “Marcha para o retorno à Palestina”.

Soldados libaneses dispararam para o ar para tentar dissipar os manifestantes. O Exército israelense disparou do outro lado da fronteira quando os manifestantes teriam começado a destruir as barreiras.

Golã

Na fronteira com a Síria, dois homens foram mortos e cerca de 20 foram feridos à medida que manifestantes derrubavam uma barreira e entraram nas Cólicas de Golã.

O Exército de Israel afirmou que o episódio foi uma incursão “séria” em seu território e que dezenas de manifestantes conseguiram entrar no território israelense.

A região das Colinas do Golã foi tomada por Israel da Síria na Guerra dos Seis Dias, em 1967, e posteriormente foram anexadas ao território israelense, numa ação não reconhecida pela comunidade internacional.

Já na Jordânia, as forças de segurança usaram gás lacrimogêneo para dispersar centenas de manifestantes na cidade de Al-Karama, na divisa com Israel. Dezenas de pessoas foram presas.

Pedras

Na fronteira entre Israel e Gaza, na passagem de Erez, as tropas israelenses abriram fogo com tanques e metralhadoras contra um grupo que tentava cruzar a fronteira, deixando ao menos 45 feridos, segundo autoridades médicas palestinas.

Em Ramallah, houve registro de confrontos entre manifestantes e soldados num posto fronteiriço no caminho para Jerusalém.

Os manifestantes atiraram pedras contra os soldados, que responderam com bombas de gás lacrimogêneo e tiros com balas de borracha.

Em Tel Aviv, a maior cidade de Israel, um motorista árabe-israelense foi detido após o caminhão que dirigia ter se chocado com pedestres, matando uma pessoa.

A polícia israelense investiga se a ação foi deliberada em protesto pelo dia da Nakba.

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