Europa tem 'boas razões' para ter candidato a comando do FMI, diz Merkel

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Image caption Troca de comando no FMI não é uma questão colocada, diz chanceler

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, disse nesta segunda-feira que há "boas razões" para a Europa ter um candidato pronto para o cargo máximo do FMI, mas se negou a comentar a eventual saída de Dominique Strauss-Kahn do cargo de diretor-gerente.

O francês Strauss-Khan, 62 anos, foi detido na noite de sábado em Nova York, sob a acusação de atacar sexualmente a camareira de um hotel. Ele foi retirado pela polícia de um avião da Air France, poucos minutos antes de partir para Paris.

O diretor-gerente do FMI, que aceitou ser submetido a uma perícia de DNA, nega as acusações.

Falando a jornalistas em Berlim, Merkel afirmou que, "a médio prazo", os países emergentes podem reivindicar os cargos máximos no FMI e no Banco Mundial.

"No entanto, eu acho que, com a situação atual, onde há muitas discussões também a respeito do euro, há boas razões para a Europa ter bons candidatos à disposição", disse a chanceler.

"Mas eu repito: hoje, esta questão não está colocada. Em vez disso, vamos aguardar os desenvolvimentos", disse Merkel, sobre a investigação sobre o caso de Strauss-Kahn.

Merkel e Strauss-Kahn tinham programado um encontro nesse domingo, mas a reunião foi cancelada após a prisão do diretor-gerente do FMI.

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Image caption Strauss-Khan é acusado de atacar sexualmente uma camareira

Maior representatividade

Nos últimos anos, economias emergentes como Brasil, Rússia, Índia e China - grupo conhecido como Bric - vinham fazendo vários pedidos para ter maior representatividade em organizações internacionais como o FMI e o Banco Mundial.

A pretensão destas nações era acabar com o "monopólio" de Estados Unidos e Europa, que historicamente comandam os dois órgãos.

Essa reivindicação dos emergentes foi em parte atendida na última sexta-feira, quando o Conselho do Fundo decidiu conceder mais poder a estes países.

Em reunião, o órgão decidiu transferir mais de 6% dos direitos de voto dos países com excesso de representação para as nações em desenvolvimento com mercados “dinâmicos”.

Assim, a China passa a ter agora a terceira maior voz na organização, atrás apenas de Estados Unidos e Japão, e à frente de potências europeias como Alemanha e Grã-Bretanha. Outros países do Brics – Brasil e Índia – também ganharam mais voz.

Atualmente, apenas cinco países ocupam o topo do quadro executivo do órgão: Estados Unidos, Japão, Grã-Bretanha, França e Alemanha. Com as mudanças, o grupo será expandindo para dez, incluindo China, Brasil, Índia, Itália e Rússia.

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