Israel prolonga fechamento da Cisjordânia após confrontos e mortes nas fronteiras

Policial de fronteira israelense prende palestino durante protesto na Cisjordânia, no domingo (Reuters) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Policial de fronteira israelense prende palestino durante protesto na Cisjordânia

O governo de Israel resolveu prolongar o fechamento da Cisjordânia e o estado de prontidão das forças de segurança, um dia depois dos confrontos com manifestantes nas fronteiras com o Líbano, a Síria e a Faixa de Gaza, que resultaram na morte de 16 palestinos.

Os confrontos ocorreram quando grandes grupos de refugiados de campos do Líbano e da Síria tentaram cruzar a fronteira com Israel como protesto para marcar a Nakba, palavra árabe que significa 'catástrofe' e se refere ao dia da criação do Estado de Israel (15 de maio de 1948). Os manifestantes também reivindicavam o direito ao retorno aos territórios palestinos.

A data, que para os palestinos é uma data de luto, foi marcada ainda com manifestações na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.

Manifestantes vindos de campos de refugiados próximos a Damasco conseguiram furar o bloqueio das forças israelenses e cruzar a fronteira, entrando na aldeia de Majdal El Shams, nas colinas do Golã.

Israel tinha fechado a fronteira com a Cisjordânia na véspera da Nakba. A invasão fez com que Israel reforçasse suas tropas em todas as fronteiras e provocou duras críticas e trocas de acusações entre autoridades do país.

Para o chefe do Estado Maior do Exército israelense, general Benny Gantz, a entrada dos refugiados palestinos em Majdal Shams, vindos da Síria, "não foi boa".

O Comando Norte do Exército afirma que não teria sido alertado pelo serviço de Inteligência militar de que grandes grupos de palestinos vindos da Síria tentariam cruzar a fronteira. Já o serviço de Inteligência afirma que fez o alerta e que o comando não tomou as medidas necessárias para evitar a derrubada da cerca.

'Piores pesadelos'

Para analistas locais, a marcha de milhares de refugiados palestinos em direção às fronteiras israelenses, que ocorreu tanto da direção da Síria, como da direção do Líbano, representa a "realização dos piores pesadelos de Israel".

A questão dos refugiados palestinos, considerada a mais espinhosa no conflito israelense-palestino, veio, literalmente, "bater à porta" de Israel.

O estudante secundário identificado apenas como Mohamed, habitante do campo de refugiados de Al Yarmuk, na Síria, disse ao jornal Haaretz, que resolveu participar do protesto para afirmar que "o amor pela Palestina não se enfraquece com o passar das gerações, e que queremos voltar à nossa pátria".

O avô de Mohamed fugiu de Haifa, que é hoje a terceira cidade de Israel, durante a guerra de 1948.

Para o ministro israelense Yossi Peled, os palestinos seguem o exemplo da chamada Primavera Árabe, e passaram a adotar a "arma de grandes massas desarmadas contra forças armadas".

Em entrevista à radio estatal de Israel Kol Israel, o ministro afirmou que Israel deve "impedir a qualquer custo a violação de sua soberania e a inundação do país por massas de infiltradores".

Segundo o ministro, "o Estado Judeu é um presente que ganhamos da História depois de milhares de anos e devemos preservar nossa soberania mesmo se tivermos que pagar um preço na arena internacional".

Desanimados

O ex-chefe dos serviços de Inteligência do Exército, Aharon Zeevi Farkash, disse nesta segunda-feira, em reunião da Comissão de Segurança do Parlamento, que "os palestinos estão desanimados com o processo de paz e decidiram recorrer à estratégia de grandes manifestações pacificas, estimulados pelas revoluções no Egito e na Tunísia".

De acordo com editorial do jornal Haaretz, os eventos nas fronteiras com o Líbano e com a Síria provam que os esforços para separar a questão palestina dos problemas com a fronteira norte do país são uma "ilusão".

"Para seu próprio bem, e não como favor a outros, Israel deve fazer o melhor possível, ou seja, muito mais do que fez até agora, para resolver a complicação inteira", afirma o editorial, em referência ao conflito geral de Israel com o mundo árabe.

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