Ministros europeus aprovam ajuda de 78 bilhões de euros a Portugal

Ministro de Finanças português, Fernando Teixeira dos Santos (esq.), fala com vice-presidente do BCE, Vitor Constancio (AFP) Direito de imagem AFP
Image caption Portugal (representada pelo ministro Santos, esq.) concordou em privatizar

Os ministros de finanças da zona do euro aprovaram nesta segunda-feira, por unanimidade, uma ajuda de 78 bilhões de euros (R$ 180 bilhões) para Portugal, que enfrenta uma grave crise financeira.

O grupo de ministros, que se encontrou em Bruxelas (Bélgica), disse que o empréstimo pretende "salvaguardar a estabilidade financeira da zona do euro e da União Europeia como um todo".

A reunião foi ofuscada pela prisão do diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, em Nova York, acusado de agressão sexual, cárcere privado e tentativa de estupro de uma camareira de hotel. Ele era esperado para participar das discussões.

O empréstimo a Portugal será dividido entre o FMI, o Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira (EFSM, sigla em inglês) e o Instrumento Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF, sigla em inglês). Cada parte dará 26 bilhões de euros (R$ 60 bilhões).

Como contrapartida, Portugal, que fez o pedido formal de ajuda no mês passado, concordou em reformar seu sistema público de saúde e em buscar um "programa ambicioso de privatizações".

Preocupação com o FMI

Analistas demonstraram preocupação com a ausência de Strauss-Kahn da reunião.

Segundo o editor de Europa da BBC News, Gavin Hewitt, o diretor-gerente do FMI comandou pessoalmente muitas das negociações e dos detalhes envolvendo os resgates financeiros para Portugal, Grécia e Irlanda.

Além disso, segundo Hewitt, Strauss-Kahn conhece pessoalmente muitos dos líderes envolvidos diretamente na crise das dívidas dos países europeus e é um grande entusiasta da moeda comum europeia.

"O vácuo de liderança no FMI vem em um momento altamente inapropriado para a Europa, que está vacilando na iminência de uma crise de dívida de grandes proporções", diz o professor da Universidade de Cornell (EUA) e ex-integrante do FMI Eswar Prasad.

A ministra irlandesa para a Europa, Lucinda Creighton, disse à emissora RTE que Strauss-Kahn era "alguém que havia tido um papel significativo nos eventos dos últimos meses relativos ao resgate da Irlanda".

No entanto, ela buscou minimizar a ausência do diretor-gerente. "Não é incomum para o chefe do FMI estar ausente de uma reunião como esta, e não acho que isso terá realmente algum impacto", afirmou.

Grécia

A reunião da zona do euro também deverá discutir a situação da Grécia, que poderá ganhar uma ajuda a mais para pagar as suas dívidas, depois de já ter recebido um empréstimo de 110 bilhões de euros (R$ 254 bilhões) da UE e do FMI em 2010.

Alguns líderes europeus estão insatisfeitos com o que consideram esforços insuficientes por parte do governo grego em conduzir suas privatizações e suas medidas de austeridade financeira.

O ministro de Finanças da Holanda, Jan Kees de Jager, disse não estar convencido de que a Grécia deve receber mais dinheiro. "O programa de privatizações deve ser defitivamente conduzido pela Grécia, (para que) então nós cheguemos a uma conclusão", disse.

Na última sexta-feira, o comissário de assuntos econômicos e monetários da UE, Olli Rehn, disse que o governo de Atenas deve adotar medidas adicionais para consolidar as finanças públicas e, assim, atingir suas metas de redução do deficit.

O montante da dívida grega chega a 327 bilhões de euros (R$ 757 bilhões), quase 150% de seu Produto Interno Bruto (PIB).

Moratória

Muitos analistas acreditam que os problemas financeiros da Grécia são tão profundos que uma moratória parece inevitável.

"A resposta política (à crise da dívida) continua sendo inadequada, além da curva", disse o economista-chefe do Royal Bank of Scotland (RBS), Jacques Cailloux.

No entanto, o Banco Central Europeu (BCE) parece determinado a evitar qualquer calote, já que medidas desse tipo colocariam o euro em risco. Antes da reunião, a moeda do bloco europeu caiu para o nível mais baixo em relação ao dólar em sete semanas.

Além da Grécia e de Portugal, as finanças da Irlanda também estão na pauta dos ministros de finanças europeus. O país recebeu uma ajuda de 85 bilhões de euros (R$ 196 bilhões) em novembro do ano passado.

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