Prisão de Strauss-Kahn abre disputa global por sucessão no FMI

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Image caption 'Nocaute' de Strauss-Kahn foi destaque do jornal francês 'Libération'

Os países emergentes deverão entrar na luta para ocupar o cargo máximo do Fundo Monetário Internacional (FMI), caso a prisão do diretor-gerente do órgão, Dominique Strauss-Kahn, leve à sua demissão, segundo a avaliação de observadores do mercado.

A eventual saída de Strauss-Kahn poderá ainda, de acordo com especialistas, colocar as economias da Ásia e da América Latina - incluindo o Brasil - em lado oposto ao da Europa, que tradicionalmente ocupa o comando do FMI.

Strauss-Kahn foi preso em Nova York no sábado depois que uma camareira do hotel onde ficou hospedado o acusou de agressão sexual, cárcere privado e tentativa de estupro. Na segunda-feira, uma juíza negou a ele a liberdade sob pagamento de fiança.

Nos últimos anos, economias emergentes como Brasil, Rússia, Índia e China - grupo conhecido como Bric - vinham fazendo vários pedidos para ter maior representatividade em organizações internacionais como o FMI e o Banco Mundial.

A pretensão dessas nações era acabar com o "monopólio" de Estados Unidos e Europa, que historicamente comandam os dois órgãos.

Autoridades europeias, no entanto, afirmam que os problemas com as dívidas dos países do continente indicam que a chefia do Fundo deve se manter entre europeus.

"Existe uma inquietação crescente, particularmente entre nações emergentes, sobre essa divisão de papéis", afirma Jan Randolph, chefe de análise de risco soberana da consultoria IHS Global Insight.

Para ele, a China – maior economia entre os países emergentes que integrarão o comitê-executivo do FMI - pode usar a sua influência para apoiar um candidato que represente os mercados emergentes no Fundo.

"A enorme contribuição financeira (chinesa) em 2008 efetivamente triplicou o tamanho do poder de empréstimo do FMI durante a crise global", diz Randolph.

Esta força financeira ganha cada vez mais importância à medida que os países em desenvolvimento representam uma fatia cada vez maior da economia global, segundo o analista.

Leia mais na BBC Brasil: Diretor do FMI é transferido para presídio notório de NY

Candidatos ao FMI

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Image caption Ex-ministro turco Kermal Dervis é um dos cotados para o FMI

Embora Strauss-Kahn ainda não tenha pedido demissão oficialmente, muitos analistas acreditam que ele o fará em breve.

John Lipsky, que foi nomeado diretor-gerente interino do FMI, já afirmou que deixará o cargo em agosto, quando seu mandato acabar.

Nomes de substitutos já estão sendo aventados. O ex-integrante da direção do FMI Eswar Prasad citou como nomes fortes os ministros das Finanças de Cingapura, Tharman Shanmugaratnam, e da África do Sul, Trevor Manuel, além do ex-ministro turco de Assuntos Econômicos Kemal Dervis.

Outros nomes tidos como potenciais substitutos de Strauss-Kahn são o chefe do Banco Central de Israel, Stanley Fischer - economista renomado e autor de diversos livros -, e o ex-primeiro-ministro britanico Gordon Brown.

No bloco europeu, o jornal Financial Times considera a ministra das Finanças da França, Christine Lagarde, como a candidata mais forte para o cargo.

Já a agência de notícias Reuters coloca na lista de candidatos Montek Singh Ahluwalia, consultor econômico do primeiro-ministro da Índia, e o chefe do Banco Central do México, Agustín Carstens.

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