Nota no Twitter sobre prisão de chefe do FMI alimenta teoria de complô

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Image caption Strauss-Khan era dado como favorito para as eleições presidenciais

A divulgação no site de microblogging Twitter da notícia da prisão do diretor-geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn, por um jovem francês ligado ao partido do governo do país, alimentou a tese de que o escândalo teria sido parte de um complô contra Strauss-Kahn, favorito nas pesquisas para as eleições presidenciais de 2012.

Jonathan Pinet, 24 anos, estudante no renomado Instituto de Ciências Políticas de Paris e jovem militante do partido UMP, do presidente francês, Nicolas Sarkozy, noticiou na capital francesa a prisão de Strauss-Kahn em Nova York somente 14 minutos após ele ser detido, antes mesmo de a imprensa americana divulgar o caso.

No Twitter, Pinet afirma que “um amigo nos Estados Unidos acaba de me informar que DSK (como Strauss-Kahn é chamado na França) teria sido preso pela polícia há uma hora em um hotel em Nova York”.

Pinet se enganou apenas sobre o local em que DSK foi efetivamente detido - a bordo de um avião da Air France prestes a decolar para Paris.

“O fato de eu ser militante do UMP não tem nada a ver com essa história. Fiquei a par da informação pelo fruto do acaso”, diz Pinet, que publicou em seu blog uma nota “para pôr fim aos rumores grotescos” de que ele estaria ligado a um suposto complô contra DSK.

Pinet afirma ter recebido a notícia “de um amigo que conhece alguém que trabalha no hotel Sofitel” em Nova York.

Segundo o jornal Le Monde, essa terceira pessoa, que teria dado a notícia da prisão ao amigo de Pinet, trabalharia no restaurante do hotel.

Outro fato curioso, segundo a imprensa francesa, é que a primeira pessoa a responder à mensagem de Pinet no Twitter foi Arnaud Dassier, responsável pela campanha de Sarkozy na internet para as eleições presidenciais de 2007.

“Estava assistindo à TV no sábado à noite (em Paris) e navegando no Twitter. Perguntei a Pinet se a informação (sobre a prisão) era confirmada. Ele respondeu que sim e passei a notícia adiante”, afirmou Dassier em uma entrevista ao jornal Le Parisien.

“Isso só prova que eu utilizo o Twitter rapidamente e me interesso pela política, mais nada”, afirma.

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Image caption Caso Strauss-Kahn é destaque na imprensa estrangeira

‘Esquerda-caviar’

Dassier também é redator-chefe do site Atlântico, ligado à direita francesa. Essa página é acusada por partidários de Strauss-Kahn de estar por trás da divulgação das fotos, na semana passada, do diretor-geral do FMI circulando por Paris em um modelo de alto luxo de um carro Porsche.

A notícia sobre o carro foi amplamente veiculada pela imprensa francesa provocando debates sobre o estilo de vida do socialista, que também usaria ternos que custam US$ 35 mil.

Rapidamente, surgiram comentários associando Strauss-Kahn à “esquerda-caviar”, expressão utilizada na França para definir membros da esquerda com alto nível de vida e que estariam distantes dos problemas da população.

Até o início do escândalo, o chefe do FMI liderava todas as pesquisas de opinião sobre as eleições presidenciais de 2012, embora não tenha se declarado oficialmente candidato às primárias do Partido Socialista.

A inesperada prisão de Strauss-Khan neste momento fomentou, tanto entre simpatizantes da esquerda como também da direita, uma onda de teorias sobre um complô contra o favorito nas sondagens.

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