Itamaraty diz confiar que brasileiro preso no Paquistão será libertado

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Image caption Mesquita de Faisal, em Islamabad, é a mais importante do Paquistão

O brasileiro Rodrigo Moreto Cubek, preso na semana passada após perturbar orações na principal mesquita do Paquistão, pode ser libertado pela Justiça do país já no início da semana que vem, segundo informações divulgadas pelo Itamaraty nesta quinta-feira.

O brasileiro compareceu a uma audiência com o juiz que acompanha o caso na capital, Islamabad, nesta quinta-feira, e a chancelaria brasileira - que acompanha de perto o caso - diz confiar que tudo deve ser resolvido com o pagamento de uma fiança.

Na última sexta-feira, o paranaense de cerca de 30 anos de idade entrou em um espaço exclusivo para muçulmanos na mesquita de Faisal, na capital do país. Ele gritou palavras sobre a Virgem Maria, enquanto exibia um livro com imagens da tradição cristã, até ser detido.

O crime de blasfêmia é grave no Paquistão, mas a defesa do brasileiro espera que ele possa ser julgado apenas por perturbar a ordem, ofensa considerada bem mais leve no país.

Suspeitas

Após a detenção de Cubek, havia a expectativa de que seu caso pudesse ser resolvido rapidamente.

No entanto, o serviço secreto paquistanês buscou maiores esclarecimentos após vir à tona que o brasileiro, no país há cerca de três semanas, visitou áreas consideradas suspeitas, como as cidades de Peshawar e Quetta.

As cidades, próximas da fronteira com o Afeganistão, são consideradas redutos de extremistas.

O serviço secreto do país vem sendo bastante criticado internacionalmente após a revelação de que o líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden, viveu por anos no país, em uma região próxima de Islamabad.

Cubek não teria entrado no Paquistão em missão missionária ligada a grupo religioso específico, mas sim por iniciativa e meios próprios.

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, publicada no último domingo, o embaixador brasileiro no Paquistão, Alfredo Leoni, disse que "aparentemente, o rapaz tem problema mentais" e que discutiu com a família de Cubek a situação do paranaene.

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